Não aceita o resultado? E daí?
O senador Flávio Bolsonaro (PL) não aceitou o resultado das eleições. Disse que não reconhecia a vitória de Lula, que a culpa foi da prorrogação do horário de votação, foi “sacanagem”, blablablá…
Estava tão atordoado, quando fez seu minúsculo pronunciamento pós-eleição, que esqueceu que o seu próprio partido, o PL, também havia pedido prorrogação da votação. Mas não por causa do golpe engendrado nacionalmente por empresários de transportes coletivos, que prejudicou principalmente eleitores de Lula. E sim em razão de tempestades, especialmente na região Sul, seu principal reduto eleitoral. Sim, o PL pediu prorrogação, mas apenas para cinco estados, exclusividade de seu nicho.
Mas acontece que a extensão do horário em nada mudou o quadro eleitoral já delineado até as 17h. Foi irrelevante para Lula, uma vez que a grande maioria das urnas, em todo o país, já havia sido fechada, sem possibilidade de reabertura. O resultado? Apenas pouco mais de cinco mil votos extras para qualquer um dos lados, segundo dados do próprio TSE.
Ora, ora… A diferença entre Flávio Bolsonaro e Lula, neste segundo turno, foi de 4,4 milhões de votos a mais para o petista.
A jornalista Andreza Matais, do site Metrópoles, lembra que, nesta segunda-feira, 25/10, reportagens de outros veículos de imprensa estimaram em 35 mil o número de votos afetados pela decisão de Cristiano Zanin. “No entanto, este cálculo foi feito incluindo todos os votos dados após as 17h — inclusive aqueles de pessoas que já estavam nas filas de votação naquele horário, e que já teriam o direito de votar de qualquer forma, mesmo sem a decisão do ministro”.
Como é mesmo que os bolsonaristas diziam, provocativamente, quando o pai de Flávio ganhou a eleição para presidente?
Ah, lembrei: “O choro é livre”.

