ColunaGisa Veiga

O Brasil sem as bets

Até pouquíssimo tempo atrás, a economia brasileira, a dos estados e os clubes de futebol existiam sem as bets. Sem megatraumas. Bastou essas plataformas de jogos on-line surgirem para que muitos a elas se agarrassem, jurando que não conseguiriam mais dar um passo sem essas empresas.

No entanto, desde 2024 o governo vinha avisando que, caso a regulamentação não desse o resultado esperado, essas empresas seriam proibidas de atuar no país. Qual a surpresa?

A regulamentação não impediu o crescente endividamento das pessoas que recorriam às bets tentando um dinheirinho a mais para reforçar o pequeno orçamento doméstico. Deu ruim. O que já era pouco, tornou-se menor. E jogava-se novamente para tentar compensar o prejuízo. Deu ruim de novo. O resultado é uma multidão de viciados endividados passando por tratamento de saúde pública.

Sempre tive pavor a celebridades que divulgavam e incentivavam essas apostas. Adriane Galisteu, Vinny Jr., Virgínia Fonseca e tantos e tantos outros garantiam aos seus seguidores que jogar era algo recreativo e lucrativo. Enquanto isso, crescia o número de famílias inteiras atoladas até o pescoço com dívidas impagáveis.

Após a proibição do funcionamento dessas plataformas, agora o governo quer que a conta da saúde pública com o tratamento dos viciados seja debitada dos lucros exorbitantes que as bets alcançaram.

O dinheiro arrecadado com os impostos, segundo a Advocacia Geral da União, não paga as despesas que a saúde pública vem tendo com os jogadores adictos. Daí a ação civil pública movida no sentido de fazer com que as empresas arquem com esses custos.

Se a ideia será vitoriosa ou não, é outra história. Mas, ainda que a Justiça não reconheça a legalidade dos argumentos, sou da opinião de que as plataformas devem, sim, pagar os prejuízos. Afinal, afora os impostos cobrados, onde circulou o dinheiro do lucro? Que setor beneficiou? A verdade é que é um setor que só enriquece seus donos e não distribui parte da riqueza na economia. Há quem diga, no exagero, que é melhor ser dono de bet do que ser banqueiro (há controvérsias).

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