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Campanha eleitoral e calcinhas furtadas: o que é mais hilário?

O noticiário político está pegando fogo, nessa temporada de campanha eleitoral. E também muito divertido, se os leitores prestarem atenção no Guia Eleitoral e entrevistas concedidas pelos candidatos a presidente. Alguns projetos são hilários, de tão inacreditáveis! Vide matéria publicada neste portal sobre propostas dos candidatos nanicos à presidência da República. Até botox para mulheres de baixa renda prometeram.

Mas, uma coisa os candidatos, de modo geral, têm em comum: planos e mais planos para combater a violência. Alguns, mirabolantes. Outros viraram memes.

Furtar calcinhas pode ser considerado uma violência? Bom, furtar e roubar são crimes, então surrupiar calcinhas torna-se um ato de violência. Mas, chega a ser até engraçado, em algumas situações. Em agosto, o noticiário policial ganhou fatos inusitados: furtos dessas peças íntimas. Por homens.

Um deles aconteceu na cidade de Cratéus, no Ceará. Um homem invadiu o quintal de uma casa e furtou cerca de 40 dessas peças que estavam no varal. Parece que a polícia ainda não tem pistas do estranho ladrão. O interessante é que todos os produtos pertenciam a uma única mulher. Fico a me perguntar duas coisas: 1) Por quanto tempo essas calcinhas ficaram sujas até que sua dona resolvesse lavá-las num único dia? Deixa pra lá. 2) O que raios um homem queria com calcinhas já usadas, já que dificilmente deveria revendê-las? Bom, tenho minhas suspeitas.

Outro caso, também no mês passado, aconteceu em São Paulo. Proposta idêntica: roubar peças já usadas “dando sopa” nos quintais. Um homem foi detido após ser flagrado invadindo casas para furtar roupas íntimas femininas nos varais. Levou 20 peças. “É um fetiche”, explicou à polícia.

Relatos semelhantes surgiram até em Santa Catarina, segundo observei em uma matéria do portal R7. Muito estranho.

Esses dois primeiros casos, em agosto, chamaram minha atenção. Daí fui pesquisar sobre outros furtos de calcinhas pelo país. E deparei-me com casos parecidos. Um deles aconteceu em Turmalina, Minas Gerais, em 2019. Um homem foi preso acusado de furto semelhante. Com ele havia mil calcinhas e 45 sutiãs. Já no ano passado, no mesmo estado, um homem foi preso flagrado furtando as calcinhas da própria vizinha em um prédio residencial na cidade de Patos de Minas. Calcinhas usadas, portanto.

Em maio deste ano, a polícia paulista prendeu quatro integrantes da chamada “Guangue das calcinhas”, na capital. Eles pegavam novas e limpas, pelo menos. Os criminosos foram detidos após serem flagrados com uma carga de lingerie avaliada em mais de R$ 30 mil. A quadrilha realizava furtos no interior do estado para revender os produtos na região central da cidade.

Em janeiro, uma dupla de homens foi presa em flagrante após realizar uma série de furtos em um shopping center em Indaiatuba, no interior de São Paulo. O prejuízo estimado em mercadorias ultrapassou os R$ 10 mil, sendo a grande maioria composta por peças de roupa íntima feminina. A ideia era revender o produto do roubo. Em 2024, em Niterói, um ladrão furtou 20 conjuntos de lingerie num shopping. Foi preso em seguida.

Mas, voltemos ao caso de Cratéus. O noticiário ganhou bons espaços na imprensa. A escritora Socorro Acioli escreveu um artigo sobre o Ceará, suas delícias e sobre o roubo misterioso das calcinhas, num artigo na Folha de S. Paulo, postado na terça-feira (1º) no site.

“É no Ceará que o roubo de 40 calcinhas vira tema de reportagem, com desdobramentos, imagens de câmeras de segurança, entrevista com a dona das peças roubadas, uma cobertura completa que eu acompanhei, inclusive, porque é quase inacreditável”, conta ela.

Talvez Socorro não tenha feito uma pesquisa como eu fiz para saber que esse tipo de furto parece estar virando moda no Brasil. Só falta um candidato anunciar um plano específico para combater esse tipo de crime. Não duvido de mais nada!

 

Gisa Veiga

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