Em dois anos, emplacamento de carros elétricos mais do que dobrou na PB
Os veículos eletrificados — categoria que inclui modelos híbridos e também os 100% elétricos — caíram no gosto dos paraibanos. Dados do Departamento Estadual e Trânsito da Paraíba (Detran-PB) mostram que, em 2024 e 2025, a quantidade de carros eletrificados emplacados no estado mais do que dobrou. Hoje, a procura por veículos dessa categoria na Paraíba cresce mais do que a média nacional, conforme explicou o presidente do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos da Paraíba (Sincodiv-PB), José Carneiro.
Os números do Detran-PB mostram o registro de 1.635 veículos eletrificados em 2024, sendo 1.512 elétricos e 123 híbridos. Em 2025, esse número saltou para 3.877, sendo 3.431 elétricos e 446 híbridos. Neste ano, até o momento, já são 3.011 veículos, sendo 2.590 elétricos e 421 híbridos.
José Carneiro revelou que a projeção do setor é de que mais de 4.200 veículos sejam vendidos em 2026. Ele destacou que essa explosão forçou todo o mercado de automóveis a adaptar-se. “É uma realidade que veio para ficar, não tem mais volta”, afirmou. Ele comentou que a mudança traz uma reação em cadeia, afetando também o mercado de usados e quem trabalha vendendo veículos a combustão. Para ele, a tendência é que os preços desses veículos baixem, para retomar a competitividade em relação aos elétricos.
O panorama da eletrificação no Brasil, pesquisa apresentada pela Mobilix, apresenta os carros 100% elétricos dominando 40% desse mercado, enquanto os híbridos plug-in têm 34% a 35% do mercado, e os híbridos comum e flex, 20% a 25%. Marcas como BYD, GWM e Geely têm se popularizado cada vez mais, mas fabricantes tradicionais, como Chevrolet, Toyota e Renault, também incluíram veículos elétricos em seus acervos.
Em João Pessoa, a Jetour, especializada em modelos híbridos plug-in, chegou à cidade há apenas três meses, mas já viu seu estoque inicial se esgotar. “Não tenho mais para pronta entrega. Hoje em dia, tem carro chegando que a gente tira do caminhão já para entregar ao dono”.
Para José Carneiro, o interesse dos paraibanos pelos veículos eletrificados tem diversos motivos: o avanço da tecnologia, já que muitos desses veículos trazem inovações; os preços competitivos; incentivos fiscais, como o primeiro ano de Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) pago; e também o preço do combustível.
Os motoristas afirmam que as contas de energia elétrica saem bem mais baratas do que os custos com combustível, principalmente a gasolina. Para quem tem placas de energia solar instaladas em casa, a economia é ainda maior.
Foi pensando em economizar com combustível que o engenheiro de software Telles Nóbrega adquiriu seu primeiro carro elétrico, que acabou de receber, nesta semana. “Eu estava procurando para ter economia de combustível, porque o combustível disparou de novo. E a gente ficou na dúvida entre elétrico e o híbrido. E um dos motivos que me direcionaram para o elétrico foi tanto a isenção do IPVA quanto o valor das revisões, que é bem mais barato do que um carro normal”, explicou.
Ele destacou que as inovações tecnológicas e qualidade do veículo também pesaram na decisão. “Os carros estão vindo muito modernos, com muita qualidade. A gente compara com as marcas tradicionais hoje, estão bem à frente, bem mais confortáveis, com muito mais coisa, muito mais entretenimento para as crianças dentro do carro”, avaliou ele, que é pai de uma criança pequena.
Telles acredita que os elétricos estão com preços competitivos, e o custo-benefício compensa. “É uma opção que veio num preço razoável. Ainda é um preço alto, mas já mais em conta do que estava vindo, com a tecnologia que está bem acima do que a gente estava acostumado aqui no Brasil”.
Nóbrega contou que está em processo junto ao condomínio onde mora para conseguir instalar um carregador para o veículo na garagem, mas, enquanto isso não progride, usará os pontos de abastecimento do bairro. Ele espera obter uma economia de cerca de R$ 1 mil mensais. “Pelas contas que a gente fez, o nosso gasto mensal vai em torno de R$ 1.200 com gasolina. Vai baixar para em torno de R$ 200 por mês com eletricidade, com o carro elétrico; vai praticamente pagar a parcela do carro”, disse.
- Reprodução do Jornal A União desta quinta-feira, 28/5, texto de Bárbara Wanderley
- Foto de Evandro Pereira para o Jornal A União/Reprodução

