Lula critica tarifas dos EUA em artigo no Washington Post e diz que Brasil “não será derrotado com base em mentiras”
Presidente afirma que medidas prejudicam a economia dos dois países, acusa tentativa de interferência política e defende diálogo baseado na reciprocidade.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou neste domingo (26) um artigo no jornal norte-americano The Washington Post em que critica a política tarifária adotada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. No texto, Lula contesta os argumentos utilizados pelo governo norte-americano para justificar as medidas, afirma que as tarifas também causarão prejuízos à economia dos EUA e reforça que o Brasil responderá às acusações sem abrir mão de sua soberania.
Segundo o presidente, as tentativas de utilizar a relação bilateral para fins políticos ou eleitorais não encontram respaldo. Lula também citou declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que classificou o Brasil como um país “não amigo” da política externa norte-americana.
“Tentativas de impor amarras ideológicas à parceria bilateral, ou de instrumentalizá-la para fins eleitorais, não se sustentam. Nunca antes um secretário de Estado norte-americano havia qualificado o Brasil como um país não-amigo. Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras”, escreveu o presidente.
Lula voltou a destacar que os Estados Unidos acumulam superávit na balança comercial com o Brasil, argumento que o governo brasileiro vem utilizando desde o início das medidas tarifárias anunciadas em 2025. Segundo ele, caso as restrições sejam mantidas, empresas brasileiras buscarão novos fornecedores e ampliarão relações comerciais com outros mercados.
“No médio prazo, essas tarifas vão levar à desorganização de cadeias produtivas que hoje se encontram densamente integradas e as empresas brasileiras vão substituir fornecedores norte-americanos por outros parceiros”, afirmou.
Críticas às tarifas
No artigo, Lula classificou as novas tarifas como um “erro estratégico”. De acordo com o presidente, diversos setores da indústria norte-americana dependem de matérias-primas e insumos brasileiros, o que poderá elevar custos para empresas e consumidores dos Estados Unidos.
O posicionamento ocorre após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciar, em 15 de julho, uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Entre os itens atingidos estão ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas — exceto as destinadas ao setor de aviação — e outros produtos manufaturados.
Na justificativa oficial, o USTR alegou que determinadas práticas adotadas pelo Brasil restringem ou oneram o comércio para agricultores, trabalhadores, exportadores e empresas norte-americanas.
Lula rebateu a avaliação e afirmou que as medidas terão efeitos negativos para ambos os países.
“Além de injustas, as novas tarifas são um erro estratégico: elas prejudicam a economia dos Estados Unidos e a parceria com o Brasil. Diversos segmentos industriais dos Estados Unidos dependem de insumos brasileiros. Alimentos, calçados, têxteis, móveis, autopeças e vários outros produtos chegarão mais caros ao consumidor norte-americano.”
Defesa da soberania
O presidente também aproveitou o artigo para defender políticas brasileiras que vêm sendo alvo de críticas por integrantes do governo norte-americano, como as ações de combate ao desmatamento, a legislação voltada ao enfrentamento de crimes nas redes sociais e o sistema de pagamentos instantâneos Pix.
Ao encerrar o texto, Lula reafirmou que o Brasil permanece aberto ao diálogo, desde que haja respeito à soberania nacional e reciprocidade nas relações entre os dois países.
“Respeitamos a soberania de outros Estados e negociamos com todos aqueles que saibam respeitar a nossa. A reciprocidade é a base de toda relação entre nações e temos mecanismos apropriados para assegurá-la.”
Com informações da Agência Brasil.

