Sem palhaçada, tá?
Em quase toda eleição, tem sempre alguma celebridade ou subcelebridade que decide investir na carreira política, ainda que não tenha nenhum pendor para tanto, nem mesmo um interesse genuíno. O importante é manter-se na mídia, seja de que forma for. Quando colabora seriamente e exerce o seu mandato com vistas à melhoria do país, vira uma grata surpresa. Mas nem sempre é assim.
Essas figuras acreditam que basta a fama para ser validado como político. Como se a política pudesse ser bem desenvolvida por qualquer um. Neste ano, o que me chamou a atenção foi o cantor (?) Manoel Gomes, aquele intérprete do hit “Caneta azul”, que balança a cabeça o tempo todo, de maneira desengonçada, enquanto canta (?). Ele diz que vai disputar uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Avante de São Paulo. Não desejem boa sorte, por favor! Pior que ele é capaz de vencer. Fatos semelhantes já aconteceram outras vezes, para vergonha do nosso Parlamento e da qualidade do eleitor brasileiro.
Manoel ganhou muito dinheiro com a musiquinha infernal que ele compôs, perdeu tudo e agora mora de favor na casa de um amigo. Mas acha que pode ajudar o brasileiro a viver melhor. Nas redes sociais, ele escreveu (ou alguém que o está assessorando): “Meu povo, eu só estava esperando o tempo certo. Vocês me conheceram pela música, mas agora essa caneta não escreve só canções, ela vai trabalhar pelo povo. Porque eu venho de vocês e sei o que a gente vive”, declarou o artista.
A cantora Jojo Todynho deverá aceitar convite para concorrer ao cargo de deputada federal pelo PL do Rio de Janeiro. O cantor sertanejo Gusttavo Lima animou-se com a possibilidade de sair candidato até a presidente da República, porém (ufa) recuou. Mas ainda é um nome especulado. A influenciadora Andressa Urach, ex-miss bumbum, depois evangélica e agora produtora de conteúdo sexual, também expressou interesse em concorrer a algum cargo político.
O que essas pessoas oferecem aos brasileiros, afinal?
O brasileiro, que, em tempos não tão remotos, nem queria saber de política e de políticos, agora resolveu “entender” do assunto. Ou, em outro extremo, faz chacota e vota em figuras assim, digamos, exóticas.
O mundo vive tempos difíceis, países em guerra, outros em suspense em razão das consequências de conflitos que, direta ou indiretamente, os atingem. Não é tempo de brincar de política. Precisamos levar ao Congresso Nacional, às Assembleias Legislativas, aos governos estaduais e à presidência da República políticos que olhem menos para o próprio umbigo e mais — muito mais — para os interesses da nação, que indiquem capacidade para exercer seus mandatos, que tenham posicionamentos coerentes. Confiram o passado dos candidatos, observem se eles realmente os representam.
Deixemos as galhofas, as brincadeiras e a irresponsabilidade de lado. Vote com seriedade e sabedoria. Chega de palhaçada!
Por Gisa Veiga

