Vorcaro bancou suítes em hotel de Lisboa para Hugo Motta e Ciro Nogueira, diz PF
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, bancou a hospedagem do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em Lisboa, no fim de junho de 2024, e pediu a um auxiliar reforço na privacidade dos hóspedes, de acordo com análise de material apreendido pela Polícia Federal.
À época, aconteceriam eventos na capital portuguesa como o Fórum Jurídico de Lisboa, conhecido como Gilmarpalooza, por ser capitaneado pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes. No dia 18 de junho, Vorcaro informou a um auxiliar que precisaria de reservas em Lisboa para os dias 24 a 30, para ele próprio e também mais dois quartos para “Ciro e Hugo”.
Os detalhes da investigação da Polícia Federal surgem pouco mais de um mês após mandado de busca e apreensão em endereços do senador em fase da operação Compliance Zero, que investiga suspeitas relacionadas ao Master. Entre as principais suspeitas da PF estão a de que o senador, que foi ministro da Casa Civil na gestão Jair Bolsonaro (PL), recebia quantias de até R$ 500 mil repassadas por Felipe Vorcaro, primo do ex-banqueiro.
Em coletiva de imprensa nesta terça-feira (16), Hugo Motta disse que não vê problema em ter tido as hospedagens pagas por Vorcaro. “É um evento corporativo, um encontro jurídico que inclusive participei esse ano como presidente da Câmara, então não vejo problema algum”, afirmou.
Procurado por meio da assessoria por WhatsApp às 13h30, o senador ainda não se manifestou.
Foram reservadas cinco diárias em uma suíte júnior do hotel Four Seasons Ritz Lisboa. O valor total da hospedagem de cada parlamentar foi de aproximadamente R$ 91,3 mil na cotação da data, resultando em um custo diário aproximado de R$ 18.256,12.
Ao assistente, Vorcaro demonstrou, segundo a PF, “acentuada preocupação com a privacidade do evento, ressaltando, inclusive, a necessidade de privatização do espaço localizado em frente ao local, a fim de impedir qualquer visualização do que ocorresse em seu interior”.
“Preciso muito que você dê uma atenção na questão de segurança. Cidade está lotada, eu tive lá no lugar agora. Tive uma reunião lá no clube. Tem que ter certeza que o lugar em frente ao restaurante também esteja privatizado porque senão dá pra ver tudo lá dentro”, disse Vorcaro, em áudio.
“Pode ser o papa que não pode entrar ninguém que não esteja na lista”.
Em maio, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão em endereços de Ciro, que é presidente do PP, em uma fase da Operação Compliance Zero.
Além disso, de acordo com as investigações, haveria o pagamento de outras despesas pessoais do parlamentar, como viagens de jatinho.
Felipe teria feito uma parceria “ligada aos pagamentos mensais em favor do senador, correspondentes, inicialmente, ao valor de R$ 300 mil, com indícios de que teriam sido posteriormente aumentados para a importância de R$ 500 mil”.
Felipe está preso, e o STF analisa se ele deve continuar detido ou ficar livre, com medidas cautelares. À época da operação, Ciro negou ter cometido qualquer irregularidade.

