quinta-feira, abril 23, 2026
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Reciprocidade: PF retira credencial de americano após governo Trump mandar delegado brasileiro deixar EUA

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues (foto), afirmou nesta quarta-feira (22) que retirou as credenciais de um agente de imigração americano que atuava na coordenação do setor no Brasil.

A ação foi em represália à atitude do governo Donald Trumpque pediu a retirada de um policial brasileiro que atuava no sistema de imigração dos EUA.

Segundo afirmou Andrei em entrevista à Globonews, o bloqueio ao sistema de dados da PF contra o servidor americano vai durar até que seja esclarecido o motivo que levou os EUA a tomarem as atitudes contra o agente do Brasil.

“Esse policial norte-americano, que até então trabalhava dentro de uma unidade nossa da PF, deixa de ter acesso a algumas bases de dados que nós fornecemos para essas cooperações, assim como nosso servidor lá em Miami teve”, disse.

Andrei também afirmou que, até o momento, a PF não recebeu nenhum comunicado oficial sobre o ocorrido com Marcelo Ivo e que ele mesmo determinou o seu retorno à unidade em que trabalha.

“Ao chegar ao trabalho, o policial brasileiro teve a credencial de acesso ao sistema negado. Portanto, entendi que seria mais prudente mandar ele voltar ao Brasil”, declarou.

O chefe da PF também considerou “risível” a alegação do governo Trump de que o funcionário teria atuado para manipular o sistema de imigração e “contornar tanto pedidos formais de extradição quanto prolongar caças às bruxas políticas em território” americano.

“Não é possível imaginar que um policial está nos EUA para enganar as agências americanas e ludibriar um processo que a própria agência que ele está lotado produz”, declarou.

Após a prisão de Ramagem, no dia 13, a PF afirmou que houve uma ação conjunta entre EUA e Brasil.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disse na ocasião que a prisão pelo serviço de imigração foi motivada por uma suposta infração de trânsito leve.

A permanência do delegado —que antes foi superintendente da PF na Paraíba— foi prorrogada, até agosto de 2026, conforme portaria publicada no Diário Oficial da União.

Mas, em 17 de março deste ano, Andrei determinou a substituição de Marcelo por outra delegada, Tatiana Torres. A troca formal, portanto, se deu antes do episódio da prisão de Ramagem.

O ex-deputado federal pelo PL-RJ foi condenado à prisão no ano passado na mesma ação que levou à cadeia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ele recebeu pena de 16 anos e um mês de prisão por participação em tentativa de golpe de Estado no final do governo de Bolsonaro, além de perder o mandato parlamentar. Ele deixou o Brasil no ano passado e é alvo de um processo de extradição.

  • Folha/UOL
  • Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

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