Lula anuncia mais R$ 18,5 bilhões em auxílio a empresas afetadas pelo tarifaço
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quarta-feira (22) mais R$ 13,5 bilhões em ajuda a empresas afetadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Além dos recursos do Tesouro que serão destinados à nova etapa do plano Brasil Soberano, haverá aporte de R$ 5 bilhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
O público-alvo do programa é composto por empresas afetadas pelas tarifas, pelos efeitos de conflitos internacionais na economia, por setores considerados pelo governo como estratégicos para a balança comercial e para as áreas de fertilizantes e minerais críticos e estratégicos.
Será a terceira fase do programa Brasil Soberano. Na mesma solenidade do anúncio, o presidente da República sancionou o projeto, derivado de uma medida provisória, que instituiu a segunda fase do projeto.
O montante de recursos da nova fase do programa foi antecipado pelo jornal Valor Econômico e confirmado pela Folha.
Na terça-feira (21), setores da economia afetados pelo tarifaço pediram à cúpula do governo a imposição de barreiras à importação de produtos chineses, ampliação de programas de crédito e negociações com os Estados Unidos para tentar reverter as taxas sem recorrer a medidas de reciprocidade.
O novo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começa a valer nesta quarta. A nova taxa, anunciada na semana passada, é de 25%. Há uma lista de exceções com cerca de 2.100 itens que incluem carne, café, laranja e suco de laranja e partes para a fabricação de aviões, produtos importantes para a pauta exportadora brasileira.
O governo também informou que essa nova fase do Brasil Soberano também irá contemplar empresas e setores que venham a ser afetados pela outra investigação em curso pelos Estados Unidos, que apura práticas de trabalho forçado em diversos países do mundo.
Em seu discurso, Lula reforçou a intenção do governo de diversificar parcerias com outros países, de modo a contemplar as áreas comerciais afetadas pela retaliação americana.
“Nós estamos encontrando mecanismos de negociação, estamos discutindo com muitos países para que a gente possa suprir e até ganhar mais do que aquilo que a gente estava ganhando”, disse.
“Em política, em geopolítica, em economia, a única coisa que não vale é a gente achar que o mundo acabou. O Brasil é grande, é respeitado e tem credibilidade conquistada no mercado internacional. Disse outro dia e vou repetir aqui: ninguém vai ganhar do Brasil mentindo”, afirmou o petista.
Ainda em seu discurso, Lula afirmou que o Brasil não encontrou reciprocidade nas tratativas com os Estados Unidos, mas pretende se manter na mesa de negociação.
“Se algum país pode perder com base numa mentira, é importante vocês saberem que nós não vamos perder. Nós vamos ganhar porque nós somos teimosos. Nós vamos ganhar porque nós não podemos fazer bravata, porque nós temos razão e nós vamos ganhar”, declarou ainda. “Vamos ficar na mesa de negociação. Se quiserem participar, participam”.
- Folha/UOL
- Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
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