Politica

Flávio decide se posicionar em favor do fim da escala 6×1, mas promete flexibilização a empresários

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que votará a favor da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, mas, nos bastidores, sinalizou a aliados e empresários que pretende rever pontos do texto caso seja eleito. As informações são da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, e revelam uma diferença entre o compromisso público assumido pelo candidato e as negociações que ele estaria conduzindo reservadamente.

Segundo a coluna, a sinalização ocorreu em meio à pressão de representantes do setor empresarial, contrários à aprovação da proposta em sua forma atual. Flávio teria procurado tranquilizar esses interlocutores, indicando que eventuais mudanças poderiam ser discutidas no Congresso Nacional depois da eleição presidencial.

Negociações reservadas

A posição de Flávio Bolsonaro sobre o fim da escala 6×1 passou a receber maior atenção depois que apoiadores do governo Lula cobraram, nas redes sociais, uma manifestação explícita do candidato. A 12 dias do segundo turno, o senador anunciou que apoiaria a PEC.

Entretanto, conforme relatou o Painel, Flávio também sinalizou a aliados e empresários que uma eventual vitória eleitoral abriria espaço para rever dispositivos da proposta.

A diferença entre as duas posições levanta uma questão sobre o alcance de seu compromisso: apoiar a votação da PEC significa defender integralmente o texto atual ou admitir alterações posteriores que modifiquem seus efeitos para trabalhadores e empregadores?

A reportagem não identifica quais dispositivos seriam modificados, nem apresenta declarações diretas do candidato sobre as conversas reservadas.

Empresários pressionam por mudanças

De acordo com a coluna, representantes empresariais vinham pressionando senadores a votar contra a proposta de redução da jornada de trabalho.

Nesse contexto, a sinalização de Flávio Bolsonaro teria como objetivo reduzir a resistência desses setores à posição anunciada publicamente.

A alternativa discutida envolve a possibilidade de ampliar a negociação entre empregadores e empregados na definição das jornadas.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) apresentou uma proposta baseada em um regime mais flexível, no qual a organização do trabalho seria definida por horas negociadas entre empresas e trabalhadores.

A discussão envolve uma diferença importante entre reduzir a jornada semanal e permitir maior flexibilidade na distribuição das horas trabalhadas.

Os efeitos concretos sobre o descanso semanal e a carga horária dependerão, entretanto, da redação final da proposta.

 

  • Brasil 247
  • Foto: Pedro França/Agência Senado

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