“Editor maluco” que peitou a ditadura ganha biografia no centenário de seu nascimento
Na primeira delas, logo após o golpe de 1964, o interrogatório girou em torno da origem de seus bens. Os militares consideravam inconcebível que se pudesse obter lucro no Brasil com a publicação de livros sobre política e ciências sociais. Deviam desconfiar que Ênio estava garantido pelo que então se chamava “ouro de Moscou”. Não faziam ideia de que a fortuna dele era de outro tipo —talento e tino comercial.
Seu centenário de nascimento transcorre na terça-feira (18), e sua trajetória de luta e livros está na biografia recém-lançada “Ênio Silveira: O Editor que Peitou a Ditadura”, do também editor Sérgio França.
Ênio Silveira na Companhia Editora Nacional, em 1957 – 
Certa vez, ouviu de Luís Carlos Prestes: “Agora temos uma editora”. Ênio rebateu na lata: “Não, a editora é minha”. Isso explica por que “Pessach: A Travessia”, de Cony, romance que acusa o PCB de traição, saiu trazendo uma orelha que se posicionava contra a obra. Um caso inédito no mundo.

