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João Pessoa registra aumento de casos de acidentes com escorpiões

A capital paraibana registrou mais de 450 atendimentos por acidentes com escorpiões nos dois primeiros meses deste ano, de acordo com os dados do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW). As situações envolvendo picadas por escorpiões têm aumentado no estado. Segundo os números do Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde, a Paraíba registrou 8.082 casos em 2025 e 7.118 notificações em 2024, o que significa um crescimento de cerca de 13%. Além disso, a incidência, em nível nacional, é alta. Mais de 65% dos acidentes com animais peçonhentos (categoria que também abrange serpentes, aranhas, lagartas, entre outros) foram ocasionados pelo aracnídeo.

O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) monitora as ocorrências atendidas pelo Hospital Universitário, em João Pessoa. Segundo o órgão, em um período de 20 anos, o número de casos passou de cerca de 500 por ano para mais de 200 por mês, o que significa um crescimento de mais de 200%.

“Atualmente, temos em torno de 230 casos por mês. É um número bastante expressivo. E vale destacar que esses dados são apenas daqueles que procuram atendimento no HU”, ressalta o professor Hemerson Iury, coordenador do Ciatox da UFPB. Para ele, esse crescimento está atrelado a diversos fatores. “Temos a mudança climática, mas também a expansão das cidades, que é bastante notável em João Pessoa com o crescimento do setor imobiliário”, explica.

Segundo o coordenador, a retirada da cobertura vegetal afasta os predadores naturais e faz com que os escorpiões procurem abrigo nas residências. O acúmulo de lixo, associado ao aumento da população, também contribui para o aparecimento desses animais. Nos períodos chuvosos, os aracnídeos deslocam-se dos seus esconderijos em busca de locais secos, o que também aumenta a sua incidência nas casas e prédios.

Tytius stigmurus
O escorpião-amarelo (Tityus stigmurus) é a espécie mais encontrada na Paraíba. Esses animais possuem coloração amarela e uma linha escura no dorso. Sua picada provoca dor e dormência, que podem irradiar por todo o membro afetado.

Crianças de até sete anos e idosos fazem parte do grupo de risco e podem apresentar sintomas sistêmicos, como náusea, vômitos, febre, cefaleia e dores abdominais. “Quanto mais rápido buscar atendimento médico, melhor, porque, em alguns casos, as pessoas podem apresentar até comprometimento cardíaco”, orienta Hemerson Iury.
O coordenador também destaca que não há um período específico de maior proliferação dessa espécie. Segundo ele, quando os escorpiões encontram locais com abrigo e condições favoráveis de alimentação, reproduzem-se com mais facilidade. “Os escorpiões podem ter de duas a três ninhadas por ano, e cada uma gera de 20 a 30 filhotes. Além disso, as fêmeas dessa espécie conseguem se reproduzir sem o auxílio do macho, em um processo chamado partenogênese, ou seja, reprodução sem a necessidade de cópula”.

Outro hábito que merece atenção é o fato de os escorpiões serem animais noturnos. Por isso, a maior parte dos acidentes acontece nesse período, especialmente durante a madrugada. Assim, é essencial acender as luzes ao se deslocar pela casa durante a noite.
Um ponto importante destacado pelo professor Hemerson é que os escorpiões não morrem com dedetizações comuns. O produto precisa ser aplicado diretamente no animal para produzir o efeito desejado, por isso é necessário entrar em contato com profissionais habilitados para realizar esse manejo. Além disso, ao encontrar um escorpião, recomenda-se realizar uma limpeza cuidadosa da residência, pois geralmente não há apenas um indivíduo no ambiente.

Primeiros socorros
Após uma picada por escorpião, a primeira orientação, embora difícil, é manter a calma. Recomenda-se lavar o ferimento com água corrente e sabão e fazer uma compressa morna. Se possível, também se deve registrar o animal em foto ou vídeo para auxiliar o serviço de saúde na escolha do soro adequado.

É importante não cortar, furar nem apertar o local da picada. O tratamento deve ser prescrito por um profissional de saúde e normalmente inclui analgésicos, bloqueio anestésico, corticoides e, nos casos graves, soro antiescorpiônico.

Em João Pessoa, a unidade de referência para atendimento de casos envolvendo animais peçonhentos — especificamente escorpiões, serpentes e aranhas — é o Hospital Universitário Lauro Wanderley, localizado na Rua Tabelião Stanislau Eloy, no 585, no bairro Castelo Branco.
Em Campina Grande, o atendimento é realizado no Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, na Avenida Marechal Floriano Peixoto, no 4.700, bairro das Malvinas. Nas demais situações envolvendo outros animais peçonhentos, a vítima pode se encaminhar para hospitais de urgência e emergência.

 

Texto de Camila Monteiro para o Jornal A União desta quinta-feira, 28/5

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