Lula defende filho, ataca Marcola e minimiza dívida pública
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “ilações” as suspeitas envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e afirmou que ele terá de se defender das investigações. Quarto candidato a ser sabatinado pela TV Globo, o presidente comparou as acusações contra o filho ao que enfrentou durante a Operação Lava Jato e questionou o uso de conversas telefônicas como evidência. Lula, no entanto, adotou tom diferente ao falar do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, investigado por sua relação financeira com a lobista Roberta Luchsinger. O presidente afirmou que o ex-assessor agiu de forma “totalmente errada” ao receber valores da empresária e disse que, se ele tiver cometido irregularidades, deverá pagar por elas. Na seara econômica, Lula afirmou que a dívida pública, hoje acima de 80% do PIB, não o preocupa e defendeu a condução fiscal de seu governo. Lula atribuiu parte do aumento da dívida aos juros elevados e afirmou ter herdado do governo Jair Bolsonaro um déficit de 2,8% do PIB. Lula disse ainda que espera encerrar este ano com superávit primário. (g1)
Lula chamou a lobista Roberta Luchsinger de “pilantra” e negou qualquer relação com ela. Questionado sobre mensagens obtidas pela Polícia Federal, Lula afirmou que as conversas não comprovam o uso de dinheiro público e colocou em dúvida seu valor como evidência. “O que uma pilantra pode fazer num telefone ou o que um cara qualquer pode fazer num telefone?”, disse. O presidente afirmou ainda nunca ter visto ou conversado com Luchsinger e negou que ela tenha tido qualquer proximidade com ele. (Poder360)
Apesar de Lula negar já ter encontrado Roberta Luchsinger, a lobista tem em sua conta no Instagram pelo menos três fotos com o presidente, como mostra o Painel. Tiradas entre 2022 e 2023, as imagens causaram desconforto na equipe da campanha petista. A avaliação é de que Lula deu “uma derrapada na curva” e terá de se explicar. (Folha)
O presidente também saiu em defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) ao comentar as suspeitas que envolvem o aliado no caso Banco Master. O presidente afirmou que não pode fazer política com base em “ilações” e disse confiar na honestidade do senador. Segundo Lula, até agora não há comprovação de uma relação de Wagner com o Banco Master. Lula ponderou, porém, que Wagner deverá responder caso alguma irregularidade seja comprovada. “Se ele cometeu um desvio, vai pagar o preço”, afirmou. (Metrópoles)
Confira o que foi verdade, exagero ou simplesmente falso na sabatina do presidente. (g1)
Malu Gaspar: “Dos 40 minutos de entrevista, 25 foram sobre corrupção, nos quais Lula demonstrou não ter aprendido muito em relação ao passado. Garantiu que se algo ficar provado contra o filho e o ex-chefe de gabinete, eles terão que pagar. Mas as afirmações sensatas logo deram lugar à irritação, quando ele passou a comparar a situação do filho à Lava Jato e a acusar a PF de vazar informações e a imprensa de divulgar mentiras”. (Globo)
Fabiano Lana: “Acuado por denúncias que estouraram bem no início de sua campanha, Lula precisou se amparar em seus governos anteriores e, de maneira menos focada, no futuro, para sobreviver aos questionamentos dos entrevistadores. A entrevista na Rede Globo mostrou que o presidente, de fato, faz um mandato sem marcas e vive de uma era remota”. (Estadão)
Foto: Ricardo Stuckert-PR

