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BOMBA! – Vorcaro pagou R$ 61 milhões para filme sobre Jair Bolsonaro, e Flávio pediu mais

“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, ao dono do Banco MasterDaniel Vorcaro, em uma mensagem enviada pelo WhatsApp em 16 de novembro de 2025.

Um dia após a mensagem de Flávio, Vorcaro foi preso enquanto tentava fugir do país por operar um esquema de fraude que gerou um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito, o FGC. No dia seguinte, 18 de novembro, seu banco foi liquidado pelo Banco Central.

A frase escrita pelo hoje pré-candidato à Presidência da República é parte de uma série de registros que indicam a existência de uma negociação em que Vorcaro se comprometeu a repassar um total de 24 milhões de dólares (na época equivalentes a cerca de R$ 134 milhões) para financiar a produção de “Dark Horse”, o filme biográfico sobre Jair Bolsonaro.

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Documentos e mensagens obtidos com exclusividade pelo site Intercept Brasil indicam que pelo menos 10,6 milhões de dólares — cerca de R$ 61 milhões, considerando a cotação do dólar nos períodos das transferências — haviam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, para financiar o projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro.

Os registros incluem um cronograma de desembolso, um comprovante bancário e cobranças relacionadas às parcelas previstas para a produção. Não há evidências nas mensagens de que Vorcaro tenha feito os outros oito pagamentos previstos para o projeto.

O envolvimento de Vorcaro foi negociado diretamente por Flávio Bolsonaro, mas teve outros intermediários, como o irmão e deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, do PL de São Paulo, e o deputado federal Mario Frias, também do PL paulista, que foi secretário da Cultura no governo Bolsonaro.

As conversas privadas e os documentos de Vorcaro revelam os profundos laços financeiros e a estreita relação entre o clã Bolsonaro e o banqueiro que se tornou o homem mais radioativo de Brasília. Flávio já havia negado tais conexões, da sua família e da extrema direita, chegando a dizer que isso era uma “narrativa falsa que o Lula tem criado”. 

Conforme revelado pelo Intercept, Flávio afirmou em mensagem enviada em 8 de setembro do ano passado: “Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?”.

“Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”, acrescentou o senador na ocasião. Jim Cazaviel vive Jair Bolsonaro no filme. Cyrus Nowrasteh é o diretor da película.

No dia 16 de novembro, segundo o Intercept, Flávio teria enviado outra mensagem para Vorcaro dizendo: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

Nos meses entre o veto à venda ao BRB e a liquidação pelo BC, Vorcaro tentava viabilizar uma forma de vender o Banco Master.

A publicação afirma que o valor total negociado entre Vorcaro e a família Bolsonaro era de R$ 134 milhões. Um pedaço do montante teria sido transferido de uma empresa chamada Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos. Esse fundo seria controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive no país.

A Entre pertence ao empresário Antonio Carlos Freixo Junior, que é próximo de Vorcaro e foi alvo da PF em janeiro deste ano. Depois disso, em 27 de março, o Banco Central decretou a liquidação da Entrepay, empresa do grupo.

Dados obtidos pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mostram que o Master repassou R$ 2,3 milhões para a Entre em 2025. Ao todo, foram R$ 7,7 milhões entre 2023 e o ano passado, com a maior quantia paga em 2024 (R$4,2 milhões).

A Entrepay foi sócia de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Banco Master, até o fim de 2025 em uma outra empresa, chamada Consiglog, que atua no segmento de crédito consignado para servidores do governo baiano. Lima participa do quadro de sócios da Consiglog via uma outra companhia, a Kontrollpunkt.

O Quality Golden Service tem ações de outras empresas ligadas a Augusto Lima, como a Moussaief Red, que opera o cartão do Programa Credcesta. O programa surgiu a partir da privatização da Ebal, a estatal responsável pela rede de supermercados Cesta do Povo, que operava com um cartão de compras, e é o embrião da operação de consignados por trás do crescimento do Master.

Questionado sobre a ligação, o Grupo Entre disse no início de fevereiro deste ano que “não possui qualquer vínculo societário com Daniel Vorcaro ou Banco Master”.

OUTRO LADO

Em nota, Flávio confirmou ter pedido dinheiro a Vorcaro para o filme, mas negou ter recebido ou oferecido vantagens.

“Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, disse Flávio, que não parece convencer nem mesmo alguns aliados.

 

Da Redação, com trechos transcritos dos sites Intercept Brasil e Folha/UOL

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

 

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