Economia brasileira cresce 0,7% em maio, mas FGV aponta sinais de desaceleração
A economia brasileira voltou a apresentar crescimento em maio de 2026. De acordo com o Monitor do PIB, divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 0,7% na comparação com abril.
No trimestre móvel encerrado em maio, o crescimento foi de 1,9% em relação ao mesmo período de 2025. Já no acumulado dos últimos 12 meses, a alta ficou em 1,7%, indicando uma desaceleração do ritmo de expansão da atividade econômica.
Consumo das famílias impulsiona crescimento
Segundo a FGV, o principal motor da economia continua sendo o consumo das famílias, que registrou alta de 3,3% no trimestre móvel até maio. Mais de 60% desse avanço foi impulsionado pelo aumento da demanda por serviços e bens duráveis.
A coordenadora da pesquisa, economista Juliana Trece, destacou que o desempenho positivo do consumo foi determinante para o resultado geral da economia, mas alertou que existem sinais de perda de força em outros setores.
“Embora a economia siga em crescimento, há alguns sinais importantes de arrefecimento que começam a aparecer no resultado”, avaliou a pesquisadora.
Crescimento perde ritmo em 2026
Apesar da recuperação registrada em maio, o indicador de 12 meses mostra que a economia vem desacelerando.
Em março deste ano, o crescimento acumulado era de 3%. No mesmo período de 2025, a alta alcançava 3,8%.
Além disso, a indústria permaneceu praticamente estável, enquanto o crescimento da agropecuária ocorre após uma sequência de resultados negativos. O setor de serviços foi o único que apresentou desempenho acima da média da economia no início do ano.
Evolução mensal do PIB em 2026
Confira o desempenho da atividade econômica ao longo do ano:
- Janeiro: 0,7%
- Fevereiro: 0,5%
- Março: 0%
- Abril: -0,1%
- Maio: 0,7%
Após a leve retração registrada em abril, o resultado de maio representa uma retomada da trajetória de crescimento.
Exportações desaceleram e investimentos avançam
O levantamento também mostra mudanças importantes em outros indicadores econômicos.
As exportações cresceram 4,3%, menor avanço desde o segundo trimestre de 2025, principalmente devido à desaceleração das exportações da indústria extrativa mineral.
Já as importações aumentaram 8,9%, marcando o terceiro trimestre móvel consecutivo de crescimento.
Os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), avançaram 2% no trimestre móvel. Foi a segunda alta consecutiva após quatro períodos seguidos de retração.
A taxa de investimento da economia foi estimada em 18,6% em maio, a segunda maior registrada em 2026, atrás apenas de fevereiro, quando atingiu 19,2%.
PIB brasileiro supera R$ 5,4 trilhões
Em valores correntes, a FGV estima que o PIB acumulado até maio de 2026 alcançou R$ 5,466 trilhões, refletindo a expansão da atividade econômica nos primeiros meses do ano.
Resultado oficial será divulgado em setembro
O Monitor do PIB funciona como um indicador antecedente da economia brasileira. Na última sexta-feira (17), o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) também apontou crescimento, de 0,1% em maio e de 1,4% no acumulado de 12 meses.
Já o resultado oficial do PIB é divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No primeiro trimestre de 2026, a economia brasileira cresceu 1,1%, e os dados referentes ao segundo trimestre serão divulgados no dia 1º de setembro.
Mercado e governo projetam crescimento para 2026
As projeções para o desempenho da economia seguem moderadamente positivas.
O boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, estima crescimento de 1,99% para o PIB brasileiro em 2026.
Já o Ministério da Fazenda trabalha com uma previsão mais otimista, projetando expansão de 2,3% para a economia neste ano.
Fonte: Agência Brasil/FGV.

