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6º Festival da Cultura Quilombola começa nesta terça-feira em Dona Inês

Um grande encontro que deverá envolver mais de 30 quilombos dos 48 existentes na Paraíba, em torno de práticas culturais envolvendo ancestralidade e inovação no município de Dona Inês, no Quilombo Cruz da Menina. O 6º Festival da Cultura Quilombola, que começa hoje e vai até o próximo sábado (25), espera reunir cerca de 700 quilombolas em torno de discussões, realização de oficinas, intercâmbio cultural e espaços de economia criativa.

O evento gratuito é realizado pelo Fórum de Turismo do Brejo, com apoio das secretarias de estado de Cultura e das Mulheres e da Diversidade Humana.

De 21 a 24, o foco do encontro são os espaços formativos. Nos dias 21 e 22, haverá a oficina de capoeira. De 22 a 24, o foco será pife e percussão, enquanto o dia 23 contará com formação de trança nagô. Por fim, no dia 24, será a vez da cerâmica. O último dia será o ponto alto do festival: o sábado concentrará a recepção das caravanas quilombolas, com exibição de documentário, um painel de discussão sobre Arranjos Produtivos nos Quilombos, além de grupos de ciranda, capoeira, coco, lapinha, forró e um desfile de moda quilombola.

Ao longo das últimas edições, o projeto do encontro cresceu. Se, no início, havia timidez, em especial dos quilombolas mais jovens, em participar e se apresentar, agora o que se vê é uma participação mais envolvida desse grupo etário nas manifestações culturais. O próprio espaço do evento tornou-se uma importante vitrine para as trocas entre os grupos, tanto em termos etários como territoriais.

“Os quilombos não deixam de ter acesso a essas informações das mídias. Se você não dá um incentivo, principalmente à geração mais nova, eles vão se se debandando para outras informações. A cultura que eles têm, às vezes, como não é valorizada, eles vão abandonando”, sustenta o assessor de Articulação da Secult-PB, Bira Delgado. “É função nossa e das próprias lideranças de quilombolas ter o interesse de fazer isso, profissionalizando, produzindo, levando um som bacana, um figurino, um cenário, tudo isso ajuda ao que estava meio esquecido a ressuscitar. É valor. Não é só reconhecimento do quem vem lá de fora, nós também reconhecemos que é a nossa identidade, a nossa missão”.

Reconhecimento

Neste ano, a edição tem um diferencial voltado para o reconhecimento das lideranças femininas quilombolas, pela sua dedicação e compromisso em fortalecer a cultura, as memórias, os saberes tradicionais e a resistência. No sábado, será concedida a Comenda Ancestral Céu do Talhado, em memória de Maria do Céu Ferreira da Silva, ou Céu das Louceiras, do quilombo de Serra do Talhado, liderança quilombola que foi morta de forma bárbara pelo ex-companheiro aos 43 anos, em 2013.

Haverá a entrega do título para cinco quilombolas: Francisca Maria da Silva (Bidia), da Comunidade Quilombola de Lagoa Rasa (Catolé do Rocha); Leonilda Coelho Tenório dos Santos (Paquinha), da Comunidade Quilombola do Grilo (Riachão do Bacamarte); Maria do Carmo da Silva (Maria Dudu), da Comunidade Quilombola Cruz da Menina (Dona Inês); Maria José Rodrigues Pereira (Maria José Louceira), do Sítio Ligeiro (Serra Branca); e Rosilda de Fátima Soares da Silva, da Comunidade Quilombola Gurugi (Conde).

 

  • Texto de Emerson da Cunha para o jornal A União desta terça-feira
  • Foto: Irineu Fontes/Reprodução/site Lugares de Memória

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