segunda-feira, fevereiro 2, 2026
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Prisão de jornalistas nos EUA indica ameaça crescente, alerta associação internacional

Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ) condenou as prisões do jornalista Don Lemon e da cineasta Georgia Fort, ocorridas respectivamente na quinta (29) e na sexta-feira (30), pela cobertura de um protesto na igreja Cities, em St. Paul, capital do estado de Minnesota.

“Este é um ataque flagrante à Primeira Emenda e à capacidade dos jornalistas de realizarem seu trabalho”, disse Jodie Ginsberg, diretora do CPJ, citando o trecho da Constituição americana que assegura a livre expressão e exercício do trabalho jornalístico.

“Como organização internacional, sabemos que o tratamento dado aos profissionais é um indicador importante da condição da democracia de um país. Essas prisões são apenas as mais recentes em uma série de ameaças crescentes à imprensa nos Estados Unidos e um ataque ao direito das pessoas à informação”.

A Associação Nacional de Jornalistas Negros dos EUA também emitiu uma declaração, assinada pelo CPJ, condenando as prisões. “Sejamos perfeitamente claros: a Primeira Emenda não é opcional, e o jornalismo não é crime. Um governo que responde ao escrutínio visando o mensageiro não está protegendo o público, está tentando intimidá-lo, e considerando incidentes recentes envolvendo agentes federais, está tentando distraí-lo”, diz a nota.

“Como jornalista que trabalha na mídia há mais de 17 anos, saio deste tribunal federal hoje com uma pergunta: temos uma Constituição?”, disse Fort a repórteres após sua liberação da custódia federal. “Documentar o que está acontecendo em nossa comunidade não é crime”, acrescentou a cineasta premiada com um Emmy.

Como Lemon, Fort foi acusada pelo Departamento de Justiça de obstruir a entrada da igreja Cities —pertencente à Convenção Batista do Sul, a maior denominação protestante dos EUA. A punição pode envolver pena de prisão e multa.

Manifestantes que organizaram o protesto na igreja Cities afirmam que um dos pastores é funcionário do ICE, uma das agências usadas pelo governo de Donald Trump em sua estratégia migratória agressiva e alvo de críticas, particularmente após as mortes de Renée Good e Alex Pretti em Minneapolis. O ato interrompeu um culto que acontecia no dia de 18 de janeiro.

A manifestação se tornou um ponto de controvérsia no debate entre cristãos sobre como agir com relação à política da Casa Branca. Se, por um lado, cristãos foram detidos ao protestar contra as medidas, por outro, há religiosos que evitam se posicionar e contestar ações do governo de base conservadora.

Em relatório sobre os primeiros cem dias do governo Trump, o CPJ afirma que a administração federal intensificou seus ataques à liberdade de imprensa nos EUA em uma série de ações que tornaram a capacidade dos jornalistas de reportar mais precária.

  • Folha/UOL
  • Foto: Reprodução/Getty

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