terça-feira, março 3, 2026
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Israel amplia invasão do Líbano, e 30 mil são forçados a deixar suas casas

Soldados israelenses ocuparam novas posições no Líbano nesta terça-feira (3), ampliando a invasão terrestre do país vizinho em uma tentativa de conter novos ataques do HezbollahIsrael ocupa cinco posições no território libanês desde novembro de 2024, quando um cessar-fogo interrompeu o conflito com a milícia libanesa no contexto da guerra na Faixa de Gaza.

“O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e eu autorizamos o Exército israelense a avançar e assumir o controle de posições estratégicas adicionais no Líbano”, disse nesta terça o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz. O Exército havia dito pouco antes que seus soldados estão posicionados em “vários pontos” do sul libanês.

Também nesta terça, a Força Aérea israelense disse estar realizando ataques contra lideranças do Hezbollah em Beirute. O grupo armado entrou na guerra entre Estados Unidos, Israel e o Irã no domingo (1º), lançando foguetes contra Israel e abrindo uma nova frente do conflito, que se espalha pelo Oriente Médio. Em resposta, bombardeios israelenses mataram pelo menos 52 pessoas desde a segunda (2), de acordo com Beirute, incluindo sete crianças.

Segundo a ONU, pelo menos 30 mil libaneses tiveram que deixar suas casas desde o início da guerra no sábado (28). Eles foram recebidos em abrigos das Nações Unidas no Líbano, mas o número real de deslocados deve ser maior, segundo o porta-voz do Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) Babar Baloch.

“Muitas pessoas dormiram em seus carros, em acostamentos nas estradas, ou estão presas em engarrafamentos neste momento”, afirmou. Baloch disse que o Acnur e o governo libanês estão operando 21 abrigos no momento.

As Forças Armadas libanesas se retiraram de posições próximas à fronteira em uma tentativa de evitar confrontos com os israelenses, disse à agência de notícias Reuters uma alta autoridade do governo libanês. Desde a derrota do Hezbollah na guerra com Israel em 2024, o Exército do Líbano tenta exercer controle militar sobre a região fronteiriça, historicamente utilizada pela milícia pró-Irã para realizar ataques contra Israel.

O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, afirmou na segunda que não tinha dado ordens para atacar Israel, que não apoiava tais ataques e que estava disposto a negociar com o país vizinho. Salam também baniu todas as atividades militares do Hezbollah e exigiu o desarmamento do grupo, que opera como um poder paralelo no país mediterrâneo e já foi mais poderoso militarmente do que o governo em Beirute.

O Oriente Médio está em guerra desde que os EUA e Israel bombardearam o Irã no sábado (28), matando, entre outros, o líder supremo da república islâmica, Ali Khamenei. Até aqui, ataques americanos e israelenses mataram pelo menos 787 pessoas no Irã, incluindo 153 mortos em um bombardeio contra uma escola de meninas. Ataques iranianos, por sua vez, mataram 10 em Israel e seis militares americanos em bases na região.

 

  • Folha/UOL
  • Foto: de Mathias Reding/Pexels

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