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Investigador acusado de liderar revenda de drogas na Paraíba recebeu R$ 4 milhões: “A polícia paga merreca”

O programa Fantástico trouxe ampla reportagem, no domingo passado, sobre a atuação de três policiais civis — um deles delegado — no tráfico de drogas na Paraíba. Os três estão presos em João Pessoa.

A reportagem divulgou vídeos e áudios que mostram conversas em que os policiais tratam o comércio ilegal como uma atividade empresarial.

Uma das gravações mais recentes mostra o investigador Everton Aires, conhecido como Bomba, resumindo a lógica que guiava o grupo. “É jogo, meu filho, é jogo. Isso é negócio, isso não é pessoal, é negócio”.

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Everton Aires, conhecido como Bomba — Foto: Reprodução/TV Globo

A investigação apontou que, nos últimos cinco anos, Bomba recebeu mais de R$ 4 milhões em suas contas, valor incompatível com seu salário de cerca de R$ 8.500. A quantia teria sido obtida com a revenda de cocaína, crack e skunk apreendidos em operações policiais.

“Eu trago tanto hormônio como suplemento desde 2007. Os ‘anabols’ [anabolizantes] deixam para mim mais do que o meu salário do Estado. A polícia paga uma merreca”, afirmou Bomba em um dos áudios.

As declarações contrastam com o discurso que o investigador mantinha publicamente. “A gente tem que agir dentro da legalidade porque a gente não é milícia”, disse o investigador em um podcast.

Ele também afirmou que policiais conhecem em detalhes a rotina dos criminosos. “A gente conhece os vagabundos, a mãe dos vagabundos, o irmão do vagabundo, a avó do vagabundo, onde ele morava, onde ele mora, conhece tudo”.

Mas o Ministério Público e a Polícia Civil afirmam que Bomba conhecia os bandidos de outra forma: como chefe de uma quadrilha que mantinha negócios com traficantes. “O cara que mais vende aqui sou eu. Se for para me sustentar só com o salário da polícia, não dá, não”, disse Bomba em um áudio.

Outro áudio mostra Bomba mencionando um contato para vender drogas para a facção criminosa Comando Vermelho.

Quadrilha protegia foragidos, diz investigação

Everton Aires, o Bomba, não é o único investigado. Outros suspeitos são o investigador Eduardo Jorge, o Mão Branca, que chegou a ser homenageado na Assembleia Legislativa da Paraíba pelos “serviços prestados”, e o delegado Braz Morroni, o Braz.

A investigação começou em maio de 2025, após um traficante acusar policiais civis de roubarem uma carga de drogas. A Polícia Civil concluiu que os entorpecentes retirados dos criminosos não eram encaminhados na totalidade para procedimentos legais, mas revendidos a outros traficantes.

Os três policiais negociavam com ao menos quatro criminosos e protegiam foragidos ao avisá-los de operações com antecedência.

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Braz Morroni e Everton Aires — Foto: Reprodução/TV Globo

Em uma gravação, Lira afirma que contava com o apoio de um policial para vender entorpecentes. Em outra conversa, relata que recebeu oferta de ajuda para expandir as vendas até Mossoró (RN).

“O fato de serem agentes do Estado dá àquelas pessoas um poder de quem está ali, ciente, acreditando realmente que está blindado. É algo muito grave e que precisa ser combatido com toda força”, disse o procurador-geral da Paraíba.

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Everton Aires, Eduardo Jorge e Braz Morroni — Foto: Reprodução/TV Globo

A operação realizada na terça pelo Gaeco e pela Polícia Civil prendeu nove pessoas, incluindo Bomba, Mão Branca e Braz. As defesas negam irregularidades.

O advogado de Mão Branca disse que não é crível que policiais possam estar negociando drogas abertamente e que podemos estar diante de um processo de assassinato de reputação.

O advogado de Braz sustenta que não há nada que exponha a participação consciente do delegado nos fatos investigados.

Júnior Lira, suspeito de integrar o Novo Cangaço, também foi preso. Sua defesa disse que a “inocência será demonstrada” e que ele é “alvo de uma perseguição policial”.

 

  • Com G1
  • Foto: Reprodução/TV Globo

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