sexta-feira, fevereiro 20, 2026
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Globo avisa afiliadas de que pode encerrar contratos se fizerem propaganda de candidatos

Globo enviou um memorando para suas mais de 120 afiliadas nesta semana com instruções sobre a cobertura no período pré-eleitoral. A emissora decidiu adotar uma política de “tolerância zero” e advertiu que, se as TVs locais forem denunciadas por parcialidade ou propaganda para candidatos, podem ter seus acordos de parceria não renovados.

Segundo o texto, assinado por Ricardo Villela, diretor de jornalismo da Globo, o objetivo do documento é fazer com que haja uma cobertura uniforme, dentro dos padrões que norteiam a empresa, por todo o país. A equipe responsável pelas afiliadas da rede vai fiscalizar reportagens ou abordagens que não sejam consideradas aceitáveis.

No memorando, a Globo ainda relembra que possíveis infrações eleitorais podem ser passíveis de multa em dinheiro para a afiliada e para a rede, conforme entendimento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A coluna apurou que o documento foi recebido com apreensão por algumas afiliadas. Muitas parceiras da Globo até hoje são comandadas por políticos ou familiares deles.

Nos bastidores, o recado é claro: quem desobedecer pode acabar como a TV Gazeta de Alagoas ou como a TV Fronteira de Presidente Prudente (SP). Ambas não tiveram seus contratos renovados recentemente por motivos que envolviam política.

Em outubro de 2023, a Globo comunicou à TV Gazeta que não renovaria o vínculo, devido a escândalos envolvendo o canal. Entre eles, estava o uso da afiliada para receber propina em um esquema de corrupção que envolvia seu dono, o ex-presidente Fernando Collor, conforme condenação no STF (Supremo Tribunal Federal).

Além disso, a Globo acusava Collor de usar a Gazeta para se promover e criticar opositores. A emissora só conseguiu encerrar a parceria no ano passado, após decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

No caso da TV Fronteira, a Globo não renovou a afiliação devido ao comportamento de Paulo Oliveira Lima, presidente do Grupo Paulo Lima, dono do canal. A emissora considerou que ele usou a TV para promover a própria imagem em telejornais locais, com o objetivo de se eleger prefeito.

 

  • Folha/UOL
  • Foto: Reprodução

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