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Acidente entre trens de alta velocidade mata ao menos 68 pessoas na Espanha

Ao menos 68 pessoas morreram nesta quarta-feira (28) na colisão entre dois trens de alta velocidade na província de Toledo, na Espanha, a cerca de 150 km de Madri. O balanço foi divulgado pelas autoridades locais, e o número de mortos pode aumentar, diz matéria publicada no site da Folha/UOL.

Cerca de 100 pessoas ficaram feridas. Segundo a imprensa local, há 77 feridos, dos quais 15 em estado grave.

O acidente ocorreu por volta das 8h54 locais (4h54 em Brasília) entre os municípios de Los Yébenes e Urda. Segundo os serviços de emergência, um trem da Renfe, operadora ferroviária estatal, colidiu com outro da empresa privada Iryo, que estava parado na via.

O ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, afirmou que o trem da Renfe foi autorizado a seguir viagem mesmo com um sinal vermelho ativo, que indicava a presença do trem parado na via à frente. Segundo ele, a autorização violou o protocolo.

O trem da Renfe havia partido de Madri às 8h com destino a Sevilha. Segundo o governo local, 544 pessoas viajavam nas duas composições —147 pessoas no trem da Iryo e 397 no da Renfe. O premiê Pedro Sánchez decretou luto nacional de três dias. “Chocado com o grave acidente ferroviário em Toledo. Meu carinho, minha solidariedade e meu apoio a todas as vítimas e seus familiares”, escreveu no X.

As imagens do acidente mostram os dois trens, um vermelho e outro branco, parcialmente descarrilados, com vagões tombados. Dois deles caíram por um barranco. A circulação ferroviária entre Madri e a Andaluzia foi suspensa.

Esse é um dos piores da história ferroviária da Espanha desde os anos 1970, e ocorre apenas nove meses após outra colisão entre dois trens em Adamuz, na província de Córdoba, que matou 46 pessoas.

Uma passageira do trem da Iryo disse à rádio Cadena SER que sentiu um forte impacto que a arremessou para a frente, levando-a inicialmente a pensar que o trem havia feito uma parada de emergência. Ela só percebeu a gravidade do acidente depois de ver pessoas feridas e receber a orientação para deixar o trem.

A ministra da Saúde, Mónica García, afirmou à TV pública que o acidente pode se revelar uma “grande tragédia”. O presidente da região de Castela-Mancha, Emiliano García-Page, suspendeu a agenda para ir ao local e lamentou as mortes. Segundo ele, foram encontrados 24 corpos no trem da Renfe e 6 no da Iryo, mas o número deve crescer, já que as equipes ainda não chegaram ao fundo dos vagões.

A presidente regional de Madri, Isabela Díaz Ayuso, pediu doações de sangue em um post no X. O Itamaraty lamentou o acidente e afirmou que está monitorando a situação para prestar a assistência consular cabível a brasileiros afetados pela colisão.

Outros partidos também cancelaram seus compromissos da campanha. O país vai às urnas no próximo mês em eleições antecipadas, após uma onda de protestos contra a crise habitacional pressionar o governo do premiê.

“Muitos vão querer usar a dor e o luto, como já fizeram, para tentar calar as denúncias e os protestos diante de uma deterioração da infraestrutura que já não podemos mais suportar”, acrescentou Abascal.

O Vox apresentou uma queixa-crime contra os responsáveis pela Adif, entidade pública que administra a infraestrutura ferroviária, e contra os operadores que estariam envolvidos no acidente.

Em janeiro, um trem da Iryo descarrilou e foi atingido por outro, da Renfe, que vinha em sentido contrário. O episódio matou 46 pessoas. A tragédia reacendeu o debate sobre a manutenção da rede e a segurança dos passageiros, e rendeu duras críticas ao governo Sánchez.

A Espanha gastou, em média, cerca de € 1,5 bilhão por ano entre 2018 e 2022 em sua rede de alta velocidade. No entanto, a grande maioria foi destinada a novas infraestruturas, e apenas cerca de 16% foram reservados para manutenção, renovação e modernização.

 

  • Folha/UOL
  • Foto: Reprodução

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