Tarifa de 37,5% dos EUA atinge quase 4 mil produtos brasileiros, diz CNI
Quase 4 mil produtos brasileiros passarão a enfrentar uma tarifa total de 37,5% para entrar no mercado dos Estados Unidos, segundo levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quinta-feira (23).
A medida ocorre após a aplicação de uma nova sobretaxa de 12,5% pelos Estados Unidos, que se soma à tarifa adicional de 25% já imposta a parte das exportações brasileiras. As novas cobranças entram em vigor nesta sexta-feira (24).
De acordo com a CNI, 4.060 produtos exportados pelo Brasil serão afetados pela nova medida. Desse total, 3.985 itens já estavam sujeitos à sobretaxa anterior e agora terão tributação acumulada de 37,5%. Esse grupo representa US$ 10,8 bilhões em exportações, equivalente a 80,7% dos produtos atingidos.
Outros 75 produtos, que correspondem a US$ 1,6 bilhão em vendas ao mercado estadunidense, passarão a pagar apenas a nova tarifa de 12,5%.
A entidade estima que a medida alcançará US$ 12,4 bilhões em exportações brasileiras, o equivalente a 29,4% de tudo que o Brasil vende aos Estados Unidos.
Segundo a CNI, considerando todas as tarifas adicionais impostas pelo governo norte-americano, 48,7% das exportações brasileiras destinadas ao país estarão sujeitas a algum tipo de cobrança extra.
A nova tarifa foi definida após uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que avaliou práticas relacionadas ao combate ao trabalho forçado em cadeias produtivas.
A CNI, porém, contesta a justificativa apresentada pelo governo estadunidense e afirma que o Brasil possui uma legislação considerada avançada no combate ao trabalho forçado, com mecanismos de fiscalização e responsabilização.
O presidente da entidade, Ricardo Alban, defendeu a continuidade das negociações entre os dois países para reduzir os impactos sobre as empresas brasileiras afetadas.
“É essencial que o diálogo entre Brasil e Estados Unidos seja mantido e aprofundado”, afirmou Alban, destacando que a CNI trabalha junto ao governo federal e aos setores prejudicados na busca por medidas de curto prazo.
Fonte: Agência Brasil / CNI.

