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Mosteiro de São Bento passará por mais duas intervenções

O Mosteiro de São Bento, um dos mais importantes conjuntos barrocos do país, passará por um novo ciclo de restaurações com o objetivo de preservar sua integridade histórica e arquitetônica. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1957 e símbolo da presença beneditina no Centro Histórico de João Pessoa, o conjunto formado pela igreja e pelo mosteiro contará com três intervenções: a manutenção interna das alas conventuais, a restauração da fachada principal e a recuperação do muro que desabou no ano passado. Parte das ações já está em andamento, com apoio do Governo do Estado, enquanto outras aguardam início previsto entre os meses de abril e maio.

A primeira etapa da reforma, já em curso e voltada à ala conventual, revela a dimensão do que está sendo feito em todo o conjunto arquitetônico. Mas, antes de qualquer reconfiguração interna, foi preciso começar pelo mais essencial: a coberta do edifício. A intervenção nos telhados ocorreu após a identificação de riscos estruturais nas antigas dependências do equipamento. Segundo o diretor do Centro Cultural São Francisco (CCSF) e curador do Patrimônio Histórico e Bens Culturais da Arquidiocese da Paraíba, padre Marcondes Meneses, um levantamento prévio foi realizado para avaliar as condições das edificações históricas no estado e mapear a necessidade de ações emergenciais, de médio e longo prazo. “E nós julgamos que o São Bento era uma dessas edificações que, por primeiro, deveriam ter essa intervenção para assegurar o bem do imóvel”, observa.

A partir desse diagnóstico, a Arquidiocese estruturou um projeto dividido em duas fases — recuperação do telhado e requalificação dos espaços internos —, viabilizado por meio de convênio com o Governo da Paraíba, no valor de R$ 1,8 milhão. A primeira etapa já foi concluída; agora, a intervenção avança sobre a parte interna do Mosteiro de São Bento, com previsão de entrega até abril. O plano contempla a demolição de paredes divisórias que não integravam a configuração original do claustro, a unificação de ambientes e a reabertura dos arcos originários, além da execução de contrapiso e instalação de lajotas cerâmicas compatíveis com o conjunto histórico. Também foram realizados reforços estruturais e o rebaixamento e integração de salas para a criação de um auditório. “Está sendo uma intervenção muito robusta”, resume o padre Marcondes, ao detalhar a dimensão da obra.

Desafios
Entretanto, intervir em um patrimônio tombado não é simples. No caso do Mosteiro de São Bento, cada etapa do projeto está sendo acompanhada tanto pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep) quanto pelo Iphan. A arquiteta responsável pela obra, Larissa Vasconcelos, reforça que todas as decisões técnicas passam sempre por avaliação desses órgãos. “Em casos como esse, o maior desafio é fazer os trabalhos de conservação, restauro e requalificação com todo o cuidado de não afetar diretamente o prédio”, explica. Segundo a especialista, ao longo do trabalho, surgiram necessidades de reforços estruturais não previstas inicialmente, além de contratempos que exigiram estudo antes de qualquer ação. A restauração dos arcos do claustro, por exemplo, demandou pesquisa histórica e respaldo técnico para garantir a fidelidade ao traçado original.

Além disso, também houve uma adaptação cuidadosa às exigências contemporâneas de uso e acessibilidade. Diferenças de nível foram corrigidas e existe um projeto para instalação de elevador, estrutura que o prédio já comporta. Para o padre Marcondes, a reorganização dos ambientes é importante para compatibilizar a integridade histórica com a função atual do espaço. “Não adianta restaurar um patrimônio sem você ter uma gestão de uso”, pontua, destacando ainda que o objetivo é garantir uma visitação acessível.

Mais intervenções

Paralelamente à reforma interna, dois outros projetos já estão estruturados e devem começar logo mais, em maio. O primeiro deles prevê a recuperação do muro que desabou após as chuvas do ano passado, obra que, de acordo com o diretor do CCSF, já está aprovada e conta com orçamento de R$ 811 mil, oriundos do programa de incentivo à preservação do patrimônio cultural paraibano — ICMS Cultural. Mas a intervenção vai além da recomposição do muro em pedra calcária. Inclui, ainda, um projeto de drenagem das águas pluviais no estacionamento e a construção de muro de arrimo para a contenção do solo. “O recurso já está garantido”, reforça o responsável pela curadoria do patrimônio histórico paraibano.

Também com início previsto para maio está a conservação da fachada voltada para a Avenida General Osório, tanto da igreja quanto da ala conventual. Com investimento de R$ 1 milhão, igualmente viabilizado pelo ICMS Cultural e com aporte da iniciativa privada, a intervenção prevê limpeza e reintegração da pedra calcária, tratamento dos rebocos tradicionais e estabilização de elementos deteriorados, como as esquadrilhas. “No fim, são essas três intervenções”, sintetiza o padre, ao organizar o calendário das obras no Mosteiro São Bento.

A meta da Arquidiocese da Paraíba é concluir as três frentes até o fim do ano. Nesse meio tempo, a igreja permanece aberta para atividades religiosas e visitação turística, enquanto o convento segue fechado até a conclusão das reformas. A expectativa é que, até dezembro, todo o complexo esteja requalificado. “No fim do ano, queremos entregar tudo pronto e estender a visitação à parte conventual”, finaliza Marcondes.

 

  • Priscila Peres para o Jornal A União
  • Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

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