domingo, março 22, 2026
Manchete

CONCURSOS: Editais na Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas apresentam salários de até R$ 12 mil

Mais do que acompanhar a abertura de novos editais, quem busca uma vaga no serviço público precisa estar disposto a ampliar o horizonte, o que, muitas vezes, significa sair da própria cidade ou até mudar de estado. É nesse cenário que se encaixam os concursos desta semana, com oportunidades para profissionais de diferentes níveis de escolaridade e áreas de atuação, em diversos pontos do Nordeste. Na Paraíba, as inscrições para o certame da Prefeitura de Itatuba entram na reta final, com 83 vagas em disputa. Já a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) do Rio Grande do Norte abriu seleção para analista jurídico, enquanto a Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) oferece mais de cem vagas para nível superior.

Reta final

Com inscrições abertas somente até o próximo dia 29, o concurso da Prefeitura de Itatuba exige atenção redobrada dos concurseiros. Ao todo, são 83 vagas distribuídas entre níveis fundamental, médio, técnico e superior, em diferentes áreas da administração municipal. Há oportunidades para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, psicólogos, técnicos em enfermagem e professores, além de vigilantes, fiscais de obras e merendeiras, entre outras funções. A carga horária varia entre 20 e 40 horas semanais, com salários que vão de R$ 1,6 mil a R$ 12,5 mil, a depender do cargo e da titulação, podendo incluir complementações.

As inscrições devem ser realizadas, exclusivamente, pelo site da Ápice Consultoria, com taxas entre R$ 40 e R$ 60. Já a seleção será composta por prova objetiva, a ser realizada em 24 de maio, além de etapas específicas para alguns cargos, como prova prática para motoristas e eletricista, e avaliação de títulos para professores. No caso de agente comunitário de saúde, também é exigida comprovação de residência na área de atuação. Todas as etapas serão realizadas no próprio município de Itatuba.

Carreira jurídica

Para quem tem formação em Direito e busca uma carreira sólida no serviço público, a PGE do Rio Grande do Norte representa uma boa oportunidade. O órgão abriu 22 vagas imediatas para o cargo de analista jurídico, além de cadastro reserva. De acordo com o edital, a jornada de trabalho prevista é de 40 horas semanais, com remuneração de R$ 8,9 mil – composta por vencimento básico, auxílio-alimentação, auxílio-saúde e gratificação. 

Os candidatos interessados têm até o dia 13 de abril para realizarem a inscrição pelo site do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), mediante pagamento de taxa no valor de R$ 120. Quanto à avaliação, ela consiste na aplicação de provas objetivas e discursivas, ambas de caráter eliminatório e classificatório, além de avaliação de títulos. As etapas ocorrerão em Natal no dia 21 de junho.

Ensino superior

Já em Alagoas, a Uneal lançou edital para cargos de nível superior, com vagas imediatas e formação de cadastro reserva. O concurso contempla funções administrativas e estratégicas dentro da instituição, com destaque para as áreas de educação, gestão e apoio técnico. Entre os cargos ofertados estão analista administrativo em diferentes especialidades, incluindo Direto, Psicologia, Biblioteconomia, Ciências Contábeis e Desenvolvimento e Inovação, e gestor em planejamento educacional. Também há oportunidades para assistente social e especialista em Linguagem de Sinais (Libras).

Para todos os cargos, a remuneração ofertada é de R$ 5,3 mil, para uma jornada de 40 horas semanais. As inscrições começam amanhã (23) e seguem abertas até 27 de abril, pelo site do Cebraspe, com taxa de R$ 120. A seleção dos candidatos, por sua vez, será feita por meio de provas objetiva e discursiva, a serem realizadas em Maceió, no dia 21 de junho. No conteúdo programático constam conhecimentos básicos e específicos. O resultado definitivo das provas será divulgado no final de julho.

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Coordenada – Psicólogo enfrenta o desafio de cuidar do outro sem simplificar o humano

Nunca falou-se tanto sobre saúde mental quanto atualmente. Nas redes sociais, relatos pessoais e conselhos generalizados dão vazão ao tema, criando um ambiente em que nem sempre é fácil distinguir “achismos” de acolhimento e cuidado profissional. Nesse contexto, o papel do psicólogo ganha anda mais relevância ao oferecer escuta qualificada, sem recorrera rótulos ou diagnósticos apressados – algo comum na internet. Antes de atender alguém, esse profissional precisou, inevitavelmente, ter passado por si mesmo. É esse autoconhecimento, aliado ao preparo técnico e à responsabilidade ética, que sustenta uma atuação consciente, qualificada e comprometida com o outro, como explica a psicóloga Juliana Beco.

Autoconhecimento

No caso dela, o caminho até a Psicologia não foi direto. A área chegou a ser sua primeira escolha profissional, mas acabou ficando para depois. Ainda assim, o interesse em compreender o comportamento humano seguiu presente, o que a levou até a Pedagogia. Antes de tornar-se psicóloga, atuou como professora, ensinando música e religião, até que o contato com a terapia familiar abriu um novo caminho. Foi ali, segundo ela, que deu seus primeiros passos como psicóloga. Faltava apenas o diploma. “[Fazer Psicologia] foi diferente, porque cheguei já com uma profissão. Minha postura do saber já era diferente”, relembra a especialista em relacionamentos familiares e mestre em Psicologia da Saúde.

Embora o interesse pelas inquietudes humanas seja, de fato, um ponto de partida comum entre psicólogos, o contato com essas questões está longe de ser simples. Como Juliana explica, a Psicologia exige mais do que curiosidade: pede disposição e uma dose extra de coragem para voltar o olhar para si, antes de escutar o outro. Não por acaso, uma das bases da profissão está, justamente, nesse movimento. Não existe escuta verdadeira sem atravessar e reconhecer as próprias dores. “O melhor psicólogo é aquele que, primeiro, soube ser paciente”, afirma. Segundo ela, é a partir desse contato com as próprias dores, das mais evidentes às mais sutis, que o profissional aprende a reconhecer limites, evitar projeções e, sobretudo, escutar de forma responsável o que o paciente tem a dizer. “O autoconhecimento é tão importante porque permite a concretização do respeito à pessoa humana. Quando eu me respeito, não vou mexer nos limites do outro de qualquer maneira”, reflete.

Ética e limites

Se, por um lado, a saúde mental ganhou espaço no debate público; por outro, essa visibilidade trouxe consigo a problemática da simplificação do que é, por natureza, mais complexo. Diante disso, Juliana faz questão de destacar dois princípios que, segundo ela, são inegociáveis: ética e honestidade. O acesso à informação, sem conhecimento técnico e aprofundamento, pode levar a interpretações apressadas, o que evidencia a responsabilidade do profissional nessa relação com o paciente. “A Psicologia não é isso. Ela é muito mais ampla e muito mais complexa do que a gente imagina. Não se pode fazer de qualquer jeito”, destaca. Ou seja, não basta abrir um livro e sair diagnosticando como se estivesse folheando uma revista. “Desconfie de quem se acha muito sabedor”, alerta.

Para Juliana, também é igualmente importante reconhecer limites. Ao contrário do que muita gente imagina, ser psicólogo não significa estar preparado para lidar com qualquer demanda em qualquer contexto. Pelo contrário: saber até onde é possível ir faz parte do compromisso ético com o paciente. “Às vezes, eu não tenho condições de atender aquela demanda, mas, mesmo assim, vou lá me aventurar”, exemplifica. Esse tipo de postura, segundo ela, pode gerar consequências negativas tanto para o profissional quanto para quem busca ajuda. 

Além do consultório

Assim como o comportamento humano é diverso, a atuação do psicólogo assume diferentes formas. De acordo com a especialista, é possível trabalhar tanto em clínicas quanto em escolas, hospitais, empresas e instituições públicas, sempre lidando com conflitos, emoções e processos de desenvolvimento. Não à toa, essa diversidade exige desse profissional não apenas um consistente conhecimento técnico, mas, também, a capacidade de lidar com diferentes cenários e compreender contextos. “Eu preciso compreender a psicologia para além do sujeito e da sua experiência. É preciso ter um olhar sistêmico”, observa. Em outras palavras, trata-se de um trabalho que exige escuta, mas também articulação, sensibilidade e compreensão das estruturas que atravessam a vida das pessoas.

Oportunidades

Se você atua na área e busca novos caminhos dentro do serviço público, os concursos de Itatuba e da Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) representam uma porta de entrada. No primeiro caso, há vagas para psicólogo clínico, com exigência de nível superior e registro profissional. O salário oferecido é R$ 2 mil por uma jornada de 30 horas semanais. Já em Alagoas, o cargo de analista administrativo na área de Psicologia oferece remuneração de R$ 5,3 mil para 40 horas semanais de trabalho, com atribuições que vão do acompanhamento de processos emocionais e sociais à participação em projetos institucionais e acadêmicos. 

 

Texto de Priscila Perez, para o Jornal A União deste domingo, 22/3

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