Globo de Ouro consolida, com dois prêmios, o caminho de “O Agente Secreto” no Oscar
Santa Nanda da Sorte, como a equipe de “O Agente Secreto” apelidou o santinho com a imagem de Fernanda Torres que exibiu para as câmeras no tapete vermelho do Globo de Ouro, fez milagre. E não só um.
Dirigido por Kleber Mendonça Filho, o longa encerrou a noite deste domingo (11) fazendo história e impulsionando sua campanha rumo ao Oscar. Foram dois prêmios, um inédito de melhor ator em filme de drama, para Wagner Moura, e outro de filme em língua não inglesa. Foi derrotado por “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” em filme de drama, mas a indicação ali já tinha sido memorável por si só.
O Brasil nunca saiu do Globo de Ouro com as duas mãos ocupadas. No ano passado, “Ainda Estou Aqui” levou melhor atriz de drama, com Fernanda Torres, mas não filme em língua não inglesa. Antes disso, “Central do Brasil” e “Orfeu Negro”, uma coprodução mais francesa do que brasileira, triunfaram na última categoria.
O maior prêmio, porém, não é o troféu em si, mas o tempo de tela que o evento deu aos brasileiros. Em seus discursos, Moura e Mendonça Filho certamente convenceram muitos dos que ainda não viram “O Agente Secreto” a comprar um ingresso para o filme, aumentando suas chances de chegar à corrida do Oscar com público robusto.
Com os troféus do Globo de Ouro, “O Agente Secreto” sai na frente de “Foi Apenas Um Acidente”, representante da França –novamente uma pedra no caminho dos brasileiros com um longa mais estrangeiro que francês, como foi com “Emilia Pérez”– e o norueguês “Valor Sentimental“.
Também desbancou, em melhor filme em língua não inglesa, o espanhol “Sirât”, o sul-corenao “A Única Saída” e o tunisiano “A Voz de Hind Rajab”. Entre os atores de drama, Moura venceu sobre Joel Edgerton, de “Sonhos de Trem”, Oscar Isaac, de “Frankenstein”, Dwayne Johnson, de “Coração de Lutador: The Smashing Machine”, Michael B. Jordan, de “Pecadores”, e Jeremy Allen White, de “Springsteen: Salve-me do Desconhecido”.
Em termos de representatividade, quase 10% dos votantes do Globo de Ouro são brasileiros, fatia muito maior que na segunda instituição, historicamente fechada para latino-americanos. Mas o Oscar de “Ainda Estou Aqui” no ano passado pode ter quebrado resistências entre americanos e europeus, numa espécie de campanha prévia –e totalmente no escuro– para o compatriota.
Mais gente vai se interessar por “O Agente Secreto”, mais programas televisivos americanos vão querer falar com os envolvidos, mais revistas e jornais vão escrever sobre o filme, mais bilheteria vai ser gerada nos cinemas —e por aí vai, num ciclo rumo à glória cinematográfica, com ou sem Oscar.
No caso de Moura, o caminho até a indicação é um pouco mais complicado. Se Fernanda Torres pegou, no ano passado, uma das disputas de melhor atriz mais competitivas dos últimos tempos, o ator baiano também se depara com uma das corridas mais acirradas em tempos recentes, agora na ala masculina.
Também há o fato de a quantidade de atores indicados ao Globo de Ouro ser mais que o dobro do que aqueles que vão ao Oscar. No primeiro caso, há 12 nomes, no segundo, apenas cinco —importante lembrar que Mikey Madison, a algoz de Torres na disputa pelo homenzinho dourado, também competiu em comédia no Globo de Ouro, embora tenha perdido para Demi Moore.
No Globo de Ouro, Moura se livrou da concorrência de Leonardo DiCaprio e Timothée Chalamet, de “Uma Batalha Após a Outra” e “Marty Supreme”, respectivamente. A vitória deste domingo foi crucial para reconduzi-lo às apostas de indicados ao Oscar, possivelmente enterrando as candidaturas de Jesse Plemons ou Ethan Hawke.
- Folha/UOL
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