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Justiça determina mais um mandado de busca e apreensão, nesta quinta-feira, contra o influenciador Hytalo Santos

Em menos de 24h, o influenciador digital paraibano Hytalo Santos voltou a ser alvo de um mandado de busca e apreensão nesta quinta-feira (14), desta vez expedido pela comarca de Bayeux. A medida alcança, também, o marido do influenciador, que também passa a ser investigado. Na quarta-feira (13), a 1ª Vara da Infância e Juventude de João Pessoa expediu, e a Polícia Militar cumpriu, mandados de busca e apreensão em sua casa em João Pessoa. Também determinou a suspensão de todos os perfis do investigado nas redes sociais.

Hytalo, que já vinha sendo investigado pelo Ministério Público da Paraíba desde dezembro do ano passado, foi denunciado em vídeo do influenciador Felca, que viralizou em todo o país.

Nesta quinta-feira, Hytalo pronunciou-se pela primeira vez após se tornar alvo de investigações por suposta adultização de menores em conteúdos publicados nas redes sociais. Em nota enviada à CNN, ele afirmou que “sempre agiu dentro da lei” e rejeitou qualquer envolvimento com exploração de crianças ou adolescentes.

“Esclareço que jamais me ocultei ou obstruí investigações. Estou em viagem a São Paulo há mais de um mês e permaneço, desde o início, à disposição das autoridades para todo e qualquer esclarecimento, confiando que a verdade prevalecerá sobre qualquer tentativa de distorção.”

Na quarta-feira, oficiais estiveram na casa do influenciador Hytalo Santos e encontraram a residência vazia, trancada e com uma máquina de lavar ainda funcionando, além de objetos infantis espalhados. Assim, o mandado não foi cumprido.

Folha apurou que a suspeita é que a informação da busca e apreensão teria vazado, dando tempo assim para que os objetos alvos da investigação tenham sido levados por Hytalo ou pessoas ligadas a ele.

Ele é investigado pelo Ministério Público paraibano desde o ano passado sob suspeita de exploração de crianças e adolescentes. Em nota encaminhada à CNN, ele afirmou repudiar as acusações. Também disse que sua trajetória pessoal e profissional sempre foi guiada pelo compromisso inabalável com a proteção de crianças e adolescentes.

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À esq., o influenciador Felca, que fez um vídeo em que denuncia a adultização na internet; à direita, Hytalo Santos, que é citado no vídeo de Felca e é suspeito de expor adolescentes em suas redes

O juíz Adhailton Lacet Correia Porto, da 1ª Vara da Infância e Juventude da Comarca de João Pessoa, afirmou que o objetivo da ação era para apreender celulares e aparelhos eletrônicos.

“Quando os oficiais chegaram no local, encontraram a casa fechada. Eles receberam a informação que pouco tempo antes, um carro saiu da casa carregado de objetos. Porém, não podemos precisar se estes objetos eram os mesmos equipamentos que seriam apreendidos”, disse o juiz.

Agora, o magistrado vai aguardar que o influenciador seja citado e se defenda no prazo de dez dias. “O que informamos é que o território para defesa não é mídia social. Ele tem que se defender dentro do processo.”

Além do pedido de busca e apreensão, também foi solicitada a retirada do ar de todos os perfis nas plataformas de Hytalo. “Eram [vídeos] muito degradantes para as crianças”, disse o juiz Adhailton. As contas do TikTok e Instagram não estão mais ativas. O canal de Hytalo no YouTube segue ativo, mas os vídeos não aparecem mais públicos.

Na decisão, o magistrado também ordenou um estudo psicossocial com os adolescentes envolvidos a fim de verificar a necessidade de aplicação de medidas protetivas e a realização da escuta especializada dos adolescentes.

Entenda o caso de Hytalo Santos

O caso viralizou após o youtuber Felca, em vídeo intitulado “Adultização”, denunciar cenas de suposta exploração de crianças e adolescentes nas redes sociais.

Em outras ocasiões, ele já se defendeu sobre a investigação do Ministério Público pelas redes sociais e afirmou que mantém uma família não tradicional. “O pessoal aqui de casa é como se fosse uma família. Mas o pessoal não nos vê como família porque não somos uma família padrão ou tradicional”, diz ele.

Ele ainda descreve que se trata de “uma ligação de muito amor e muito afeto”. “A gente vai lá [à Promotoria] e explica tudo. As mães dos emancipados vão lá, dão a versão delas, como nos conhecemos, como essa família se constituiu.”

Hytalo alega às autoridades que os pais autorizam que ele tenha tutela dessas crianças e adolescentes. Ele afirma ainda que os matricula em escolas particulares e arca com os gastos educacionais e, em troca, produz os conteúdos para redes sociais. Hoje, apenas duas adolescentes viveriam com ele.

 

Redação, com Folha/UOL

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