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“Levou muito tempo para eu me achar bonito, gostoso, interessante, inteligente”, diz Thomás Aquino

Que coisa estranha é a cabeça da gente. Como pode o mesmo cara que transa com a Odete Roitman de Deborah Bloch em “Vale Tudo” e se autointitula o governador do sertão em “Guerreiros do Sol” precisar de anos de análise para ver o que todo mundo vê assim que ele entra em cena?

“Tenho 39 anos e há nove faço análise”, conta Thomás Aquino, numa entrevista longa e descontraída durante uma tarde fria deste inverno que resolveu existir este ano. “Eu precisava me conectar comigo mesmo, entender quem é esse cara, esse adulto, que mora só, faz a própria comida, paga as próprias contas”.

“Levou muito tempo para eu me achar bonito, gostoso, interessante, inteligente. E conhecer meus pontos fracos, meus pontos fortes. Estou gostando demais de me conhecer melhor”.

1-6 "Levou muito tempo para eu me achar bonito, gostoso, interessante, inteligente", diz Thomás AquinoThomás está solteiro, mas foi casado durante quatro anos com uma pessoa que ele prefere não dizer o nome na entrevista, por cuidado com a privacidade dela, o grande amor de sua vida até agora. Ele e a ex-mulher, que assinaram um acordo de união estável, dividem a guarda de T’Challa, um vira-lata que adotaram juntos e que ganhou esse nome em homenagem ao personagem da HQ que virou filme “Pantera Negra”.

Entre as gravações da novela no Rio e a finalização de outro projeto, tem tido pouco tempo para ficar em São Paulo, cidade que adotou para viver quando veio definitivamente de Recife para o Sudeste. Quando está por aqui, aproveita o tempo livre para descansar em sua casa, na sua rede, onde lê livros e roteiros ou assiste a séries na TV. “Ou então vou ao Centro Cultural São Paulo, um lugar muito gostoso. Fico lá, vejo a molecada dançando, vou à biblioteca, assisto a filmes. Tem jogadores de xadrez na praça, adoro jogar xadrez, às vezes entro num jogo”, diz.

Em cartaz na novela das nove como o jornalista Mário Sérgio, personagem que era de Marcos Palmeira na primeira versão de “Vale Tudo”, e que teve sua trama aumentada pela autora Manuela Dias para aproveitar o talento de Thomás, o próprio intérprete não sabe dizer o que pensa sobre seu personagem. “Ele está dúbio, né? Parecia um cara muito sério quando surgiu, mas agora foi trabalhar para o Marco Aurélio e começou esse romance com a Odete (Roitman). Estou na maior expectativa. O que vai acontecer, qual será o fim dele? Eu não sei.”

O fim de Josué Alencar, protagonista de “Guerreiros do Sol“, a novela de 45 episódios da Globoplay lançada junto com as comemorações de 60 anos da TV Globo, em junho, com cinco capítulos a cada quarta-feira, já é conhecido de quem assistiu com determinação.  thomas-aquino-foto-leo-rosario-globo-1 "Levou muito tempo para eu me achar bonito, gostoso, interessante, inteligente", diz Thomás Aquino thomas-e-isadora-foto-manoella-mello-divulgacao "Levou muito tempo para eu me achar bonito, gostoso, interessante, inteligente", diz Thomás Aquino

Mas as regras de novelas por streaming ainda não estão definidas, e não vou ser eu que vou dar esse spoiler a quem anda de coração na mão para saber quem ganha a guerra entre os irmãos Josué e Arduíno.

Baseada na história de Lampião e Maria Bonita, a novela se passa entre os anos 1920 e 1930, no sertão do Nordeste, região que nessa época conviveu com uma polícia corrupta e totalmente à mercê das vontades dos “coronéis”, como eram chamados os grandes donos de terra, e os cangaceiros, um grupo de foras-da-lei que tinham suas próprias vestimentas e regras de conduta e viviam como nômades.

Escrita por George Moura e Sergio Goldenberg, “Guerreiros do Sol” é o maior sucesso entre as produções da Globoplay até hoje, e Thomás Aquino foi escolhido para ser o protagonista depois de seu trabalho ter chamado a atenção em outras séries do canal de streaming como “Os Outros”. O Josué de Thomás, em “Guerreiros do Sol”, vive um amor intenso, cheio de altos e baixos, e com muito sexo, com a Rosa da atriz piauiense impossivelmente linda Isadora Cruz.

“Eu e Isadora nos tornamos muito amigos, eu estava casado e ela em um relacionamento na época da gravação, não teve nenhum romance de bastidor, mas a gente se entregou muito aos nossos personagens e queria que aquele amor se projetasse mesmo, então fizemos aquelas cenas com muita verdade”, diz ele.

“Antes de fazer qualquer cena de sexo, seja com homem ou com mulher, eu gosto de conversar com a pessoa, não curto chegar no set e já ir fazendo”, conta Thomás. “Sempre faço tudo combinado com a outra pessoa, já deu esse negócio desse mundo machista, tenho horror a isso.”

O ator, aliás, se reencontrou com o diretor, seu conterrâneo, nas filmagens de “O Agente Secreto“, novo filme de Mendonça Filho, que também estreou com grande repercussão no último Festival de Cannes, com direito a um frevo dançado nas ruas da cidadezinha francesa pelo protagonista, Wagner Moura.

Thomás faz uma participação pequena mas fundamental para a trama, e contracena tanto com Moura quanto com a atriz Maria Fernanda Cândido. O filme abre o Festival de Cinema de Brasília, no mês que vem, depois de ter passado por festivais na Austrália, na Polônia e no Canadá.

Antes de “Bacurau”, no entanto, Thomás foi escolhido para fazer seu primeiro personagem no cinema com falas, em um filme que ficou pronto e engavetado desde 2017, e que, por coincidência, estreou no mês passado. É “Paterno”, de Marcelo Lordello, com Marco Ricca no papel principal, que entrou em cartaz no último dia 7 de agosto.

“Faço o Cláudio, morador de uma comunidade chamada Brasília Teimosa, na periferia de Recife”, diz. “Foi muito legal ver o filme no cinema, gravei oito anos atrás, estava sem barba, com uma carinha bem jovem”, ri.

“Vejo o quanto eu cresci desde aquele momento, como eu me desenvolvi como ator. Acho que já tinha alguma coisa lá, naquele moleque, mas precisava lapidar muito ainda”. E o que já está bem especial ainda deve melhorar, com o lançamento do primeiro projeto internacional de Thomás, uma série para a Netflix chamada “Men on Fire”, programada para estrear no mundo inteiro no primeiro semestre de 2026. “Gravamos no México no ano passado, eu interpreto o antagonista, Soares, o ministro da Defesa do Brasil. É o primeiro trabalho que faço em inglês”, conta.

Thomás diz que está achando “o maior barato” ser chamado de grande ator e de galã. “Estou muito surpreso, galã para mim sempre foi outro tipo de homem. Homens belíssimos, Fábio AssunçãoBruno Gagliasso, Thiago Lacerda. Mas diferentes de mim. Nunca vi ninguém chamar o Lázaro Ramos de galã, e ele é lindo”, afirma.

Transcrito da coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo
Foto: Léo Rosario/Globo

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