O relator da CPI propôs o indiciamento do filho de Lula em seu relatório final, mas o governo venceu a votação e
o parecer acabou rejeitado.
Ao anunciar Gaspar nesta quinta à imprensa, Flávio mencionou Lulinha e Marcola e disse que admirava o deputado “pela coragem, pela honestidade, pela sua história na segurança pública”.
“Alguém que enfrentou e defendeu os nossos aposentados na CPI do INSS. Alguém que pediu a prisão do Lulinha porque ele tinha culpa no cartório. Alguém que representa o Nordeste de fato, que a gente vai levar prosperidade para o Nordeste”, afirmou.
“Nos últimos dias, vocês noticiaram como a degradação moral atingiu em cheio o atual governo. Não que nós não soubéssemos. […] A corrupção, o desvio, o roubo dos aposentados do INSS entrou no gabinete do Lula. O próprio Marcola do Lula está sendo acusado de receber dinheiro que provavelmente veio por desvio do INSS”, disse Flávio.
Integrantes do PL afirmam ainda que, ao tirar Gaspar da disputa ao Senado, Flávio faz um gesto ao ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), que pretende se eleger senador pelo estado e agora tem um concorrente a menos.
A chapa de homens do PL difere do plano inicial de Flávio de ter como vice uma mulher de um partido aliado e evidencia o isolamento do senador, que não conseguiu viabilizar outros nomes considerados prioritários. Sem uma coligação,
o bolsonarista terá 20% menos tempo de TV do que Lula, que conta com outras seis legendas.
A formação de uma aliança esbarrou na recusa de partidos do centrão, como PP, União Brasil e Republicanos, a coligarem com o PL. O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), buscou afastar a avaliação de que a articulação política falhou, destacando que Flávio tem palanques em 22 estados e que figuras importantes do centrão o apoiam, apesar de os partidos terem optado formalmente pela neutralidade.
Gaspar afirmou ser “uma pessoa simples, nordestina, mas com a história de vida de muito trabalho e honrado”. “Terei lealdade e gratidão, terei a coragem de enfrentarmos juntos, presidente Flávio, a corrupção, o crime organizado, essa economia em frangalhos, culpa do que Lula e sua equipe tem feito com o país.”
Ex-promotor de Justiça, Gaspar foi secretário de de Defesa Social e depois de Segurança Pública nas gestões de Renan Filho (MDB) no governo de Alagoas, além de procurador-geral do Ministério Público estadual.
Renunciou à carreira de promotor de Justiça para entrar na política numa estratégia da família Calheiros para ganhar força na capital. Ele concorreu à Prefeitura de Maceió em 2020 pelo MDB e foi derrotado no segundo turno por JHC.
Ao se candidatar a deputado federal, no entanto, mudou de lado e deixou os Calheiros para se aproximar do bolsonarismo. Foi eleito o segundo deputado federal mais votado de Alagoas em 2022.
Na terça (4), Flávio admitiu que a busca por uma vice havia se tornado “uma novela” e que a escolha poderia se estender até o dia 15, último dia para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral. À noite, porém, o PL anunciou que a decisão estava tomada e convidou a imprensa para o anúncio desta manhã.
A preferência de Flávio era por Daniella Marques (Republicanos), presidente da Caixa Econômica Federal na gestão Bolsonaro. O partido de Daniella, no entanto, decidiu na terça, em convenção nacional, que não apoiará Flávio e se manterá neutro na disputa entre ele e Lula.
Na semana passada, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, buscou emplacar como vice a senadora Tereza Cristina (PP-MS), sua preferida para o posto. Tereza, que resistia à ideia, chegou a ser convencida por aliados de Flávio e disse a ele que topava a empreitada, mas o PP vetou a aliança.
Tanto no caso do PP como do Republicanos, uma votação dos diretórios estaduais definiu que a maioria preferia a neutralidade. Ainda assim, Tereza, Daniella e outras cotadas de última hora, como a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), acompanharam Flávio no anúncio desta quarta.