Empresas de transportes coletivo estimam rombo de R$21 bilhões desde o início da pandemia

As empresas de transporte público de passageiros estimam um rombo acumulado em suas contas da ordem de R$21 bilhões desde o início da pandemia. A informação consta de reportagem de capa do jornal Folha de S. Paulo, edição desta segunda-feira.

Segundo a associação nacional do setor, em março de 2020, no início da pandemia, as viagens de passageiros nos sistemas de ônibus caíram 80%. Em outubro deste ano, ainda havia queda de 37,7%. Ou seja, o sistema não conseguiu se recuperar.

A gratuidade, que gira em torno de 20% dos usuários do sistema, também atrapalha a recuperação das empresas.

Apesar do socorro de governos estaduais e prefeituras, com isenções fiscais e subsídios, o setor de transporte de passageiros vive uma crise sem precedentes.

O desequilíbrio do sistema já teria causado 15 suspensões de atividades, 6 encerramento de atividades, 8 contratos suspensos, 1 caducidade de contrato, 6 intervenções na operação pelo poder público, 15 recuperações judiciais e 344 paralisações em 103 sistemas de transportes.

De acordo com a reportagem, governadores e prefeitos estão sem saber o que fazer com a proximidade do período de reajuste tarifas. Reclamam ajuda federal, mas o presidente Jair Bolsonaro vetou um socorro de R$4 bilhões aprovado pelo Congresso.

A verdade sobre o sistema de transporte público de passageiros no Brasil é que o problema é um monstro que cresce a cada dia e as autoridades públicas não o encaram com a devida responsabilidade. Uma hora vai colapsar e a solução será muito mais difícil e complicada.

Talvez valha lembrar, como advertência aos gestores públicos e políticos de uma maneira geral, as manifestações de 2013, que começaram exatamente por causa de insatisfações com o transporte público, num momento de reajuste de tarifa.

Não haverá eleições para prefeitos, que têm responsabilidade mais direta com os sistemas de transportes, mas uma crise pode desgastar a todos. Veja-se que, em 2013, a crise política gerada a partir das manifestações contra o transporte público, derrubou a popularidade da presidente Dilma de 57% para 30%. O resto todo mundo sabe.

Fonte: josivalpereira.com.br