Em clima de ebulição no país, João pode perder o controle da Polícia Militar

A matéria publicada no portal Brasil247 chama atenção para a gravidade do momento que atravessa o país, onde manifestações de intolerância e brutalidade politica têm explodido com uma frequência que assusta a democracia e o Estado de Direito à duras penas, conquistados.

Apoiadores do presidente têm saído às ruas para desacatar autoridades e ameaçar de demolição os poderes constituídos de forma afrontosa e violenta.

Eles estão em formação de batalha

Mais recentemente foi identificado movimentos de cumplicidade estabelecidos entre essas forças desafiadoras e as corporações militares submetidas aos estados e governadores – as famosas polícias militares, reserva das forças armadas do país, que por uma questão de doutrina e ideologia alinham-se ao discurso autoritário do presidente.

Essas forças já deram sobejas demonstrações de afinidades com a truculência do capitão e aqui na Paraíba encontram adeptos de todas as patentes em reiteradas manifestações de apoio e fidelidade.

Aqui na Paraíba acontece um fato inusitado e por isso mesmo de mais gravidade porque sinalizaria para um poder paralelo que retiraria de fato o controle do Governador João Azevedo desse comando da Policia Militar caso se acirrem as manifestações de hostilidade.

Ex-comandante da Polícia alardeia sua lealdade ao presidente

Manifestações que já foram bater a sua porta a pretexto de protestar contra as medidas sanitárias, porém, embutidos nesses protestos, uma ameaça velada a sua autoridade de comandante supremo da corporação.

Entre os mais ardorosos adeptos do bolsonarismo na terra está o ex-comandate geral da corporação, coronel Kelson Chaves, inegavelmente um líder dentro da tropa e que já se ofereceu em seus perfis, nas redes sociais, para fechar o STF.

O coronel, além de líder inconteste junto a corporação principalmente entre os praças e jovens oficiais, também é candidato a vereador na capital e, pelos objetivos projetados, não deve querer fechar os parlamentos.

Ainda sobre o coronel Kelson, um dos mais festejados oficiais da PM e de inquestionável liderança, tem um irmão, um apático burocrata soerguido do anonimato dos gabinetes onde transitava com desenvoltura dos cortesãos, para o almejado cargo de comandante geral aonde se mantém apesar do desastre que sua gestão se constitui e dos abalos que os escândalos sucessivos provocam, ameaçando derruba-lo a qualquer instante.

Candidato a vereador, Kelson conta com o apoio do capitão

E que agora se agravou nesta situação de acirramento, onde a tropa pode representar uma ameaça a estabilidade do estado e a autoridade do governador.

Sendo mais do que notório que o atual comandante não teria forças para segurar as rédeas desse poder paralelo aparentemente fascinado pelo ardor patriótico do irmão bolsonarista, com uma trajetória de convivência estreita com cabos e soldados, aqueles designados para fechar as instituições, e que não hesitariam em se perfilar à convocação do inegável líder.

Afora as divergências – que alimentam os embates entre o governado e a categoria – que foram evoluindo pela insensibilidade oficial aos pleitos dos militares, constituindo-se verdadeiras batalhas jurídicas, infindáveis, sem desfechos favoráveis.

Para piorar esse cenário vem o clima político a elevar a temperatura a níveis nunca vistos, e que pode jogar essas duas forças num abismo sem fim.

Entre Deus e o Diabo, entre a cruz e a espada, Euller se debate numa angustiante hesitação sem saber qual dos senhores servir.

A abaixo a matéria do Brasil 247:

Governadores temem alinhamento das PMs a Bolsonaro e poder paralelo nos Estados

247 – O aumento da tensão política e o acirramento dos ataques à democracia, associado ao alinhamento das polícias estaduais a Jair Bolsonaro, tem preocupado governadores e autoridades estaduais do setor de segurança que temem a criação de uma espécie de poder paralelo por parte de corporações como a Polícia Militar.

Segundo reportagem da Coluna do Estadão, do jornal O Estado de S. Paulo, o temor dos gestores veio na esteira dos protestos antifascistas e contra o governo registrados no último final de semana, quando policiais exaltaram a truculência e as agressões contra os manifestantes antibolsonaristas em grupos de WhatsApp.

Ainda conforme a reportagem, um vídeo publicado pelo deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), resume o clima da tropa ao mostrar um policial afirmando que mandou queimar uma faixa a favor da democracia durante a manifestação no Rio de Janeiro.

A situação também tem causado preocupação em São Paulo, onde o governador João Doria (PSDB) enfrenta problemas constantes com a base da PM.