domingo, fevereiro 8, 2026
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Caso Epstein derruba chefe de gabinete do primeiro-ministro do Reino Unido

Morgan McSweeney, o chefe de gabinete do primeiro-ministro do Reino UnidoKeir Starmer, renunciou neste domingo (8) após intensa pressão contra ele e o premiê pela decisão de indicar Peter Mandelson ao cargo de embaixador nos Estados Unidos.

Novos documentos publicados pelo Departamento de Justiça americano mostram que Mandelson cultivou por anos uma relação próxima com o criminoso sexual Jeffrey Epstein.

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Foto: Reprodução/UOL

A renúncia de McSweeney, braço direito de Starmer e principal arquiteto de sua vitória nas eleições de 2024, é uma tentativa do premiê de permanecer no cargo apesar de fortes críticas da oposição e descontentamento no próprio Partido Trabalhista pela forma como lidou com as novas revelações do caso Epstein.

Em nota anunciando a decisão, McSweeney diz assumir “total responsabilidade” por aconselhar Starmer a nomear Mandelson ao cargo de embaixador em Washington. “De acordo com as circunstâncias, a única escolha honrosa é renunciar”, escreve o chefe de gabinete. “A decisão de indicar Peter Mandelson foi errada. Ele prejudicou nosso partido, nosso país e a própria confiança das pessoas na política.”

McSweeney diz ainda no comunicado que é preciso “lembrar das mulheres e meninas cujas vidas foram destruídas por Jeffrey Epstein e cujas vozes não foram ouvidas por tempo demais”. “Embora eu não tenha participado do processo de checagem [de Mandelson], acredito que ele deva ser completamente repensado.

Escolhido por Starmer como embaixador em dezembro de 2024, Mandelson foi demitido em setembro do ano passado depois que parte dos documentos do caso Esptein vieram à tona e mostraram que o diplomata manteve sua amizade com o abusador mesmo depois da condenação por prostituição de menores, em 2008.

Mandelson chegou a assinar o controverso livro de aniversário de Epstein em 2003, chamando o abusador de um “ótimo amigo” —o mesmo livro contém um desenho erótico supostamente feito por Donald Trump para Epstein na qual o presidente americano teria escrito: “Um amigo é uma coisa maravilhosa. Feliz aniversário —e que cada dia seja um segredo maravilhoso”.

O caso, entretanto, ganhou novas proporções e passou a ameaçar a permanência de Starmer no cargo depois da publicação de mais documentos pelo Departamento de Justiça em janeiro. Neles, ficou comprovado que Mandelson compartilhou informações sigilosas do governo britânico com Epstein na época em que era secretário para Negócios e Comércio do governo Gordon Brown (2007-2010).

Após as novas revelações, Mandelson anunciou que deixaria a Câmara dos Lordes, onde ainda ocupava um assento. Mas mesmo essa medida, bem como a demissão de outros dois assessores de Starmer ligados a Mandelson, não foi o bastante para aliviar a pressão que o premiê sofre da opinião pública e da oposição, que agora levou à renúncia de McSweeney.

Em nota neste domingo, Starmer agradeceu o trabalho do chefe de gabinete. “Tenho uma dívida de gratidão com ele”, afirmou o primeiro-ministro. “Foi uma honra trabalhar ao seu lado por tantos anos. É graças à sua dedicação, lealdade e liderança que conquistamos uma maioria imensa na última eleição e temos a chance de mudar o país”, disse.

 

  • Folha/UOL
  • Foto: Reprodução

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