Investigação aponta que Pixbet usou empresas no exterior e criptomoedas para ocultar patrimônio
A plataforma paraibana de apostas Pixbet, alvo de uma operação nacional da Polícia Federal na manhã desta quinta-feira, é acusada de criar um esquema de aquisição de criptoativos e troca de remessas entre empresas brasileiras e estrangeiras, a fim de ocultar patrimônio e sonegar tributos, além de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Essa estrutura de ilegalidades motivou a Operação Arena, parceria de Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público, deflagrada na Paraíba e mais quatro estados — São Paulo, Rio de Janeiro, Sergipe e Paraná — , onde foram efetuados 19 mandados de busca e apreensão. Na Paraíba, a operação foi realizada em João Pessoa, Campina Grande e Serra Branca.
Entre os alvos, além do empresário Ernildo Júnior de Farias Santos, proprietário da Pixbet, sediada em Campina Grande, está o advogado Nelson Wilians, dono do escritório que representa a casa de apostas investigada. A banca disse que a relação com a bet é estritamente profissional e decorre da prestação de serviços de advocacia. Ernildo Júnior é também responsável pelas marcas Bet.Bet, Bet da Sorte, entre outras.
A Polícia Federal cercou o carro do dono da Pixbet, na BR-230. Ele teve o carro e o celular apreendidos, segundo a superintendência regional da Polícia Federal na Paraíba, mas não houve prisão.
A defesa da empresa afirmou à imprensa nacional que ainda não está a par dos autos e que vai se pronunciar oportunamente.
De acordo com a Receita, o dinheiro reenviado à casa de apostas foi usado para comprar bens de luxo e pagar outorgas e taxas de regularização da empresa, exigidas pelo governo federal desde o ano passado. Segundo dados obtidos via lei de acesso à informação, Santos está ligado a duas licenças —cada uma custa R$ 30 milhões e exige um depósito de segurança de R$ 5 milhões.
Também estão sob investigação possíveis omissões de rendimentos e a utilização de estruturas empresariais para sonegar tributos.

