O homem que se apoiava nas forças policiais para espalhar e impor medo aparece como dono de propriedade misteriosa em Bananeiras

Há um interesse extremado e criterioso sobre as ações suspeitíssimas do ex-governador Ricardo Coutinho, onde a relação de supostos bens, tem sido constantemente divulgada como prova de que as investigações para ampliar os desmandos cometidos pelo ex-governador continuam, o que não deixa de ser auspicioso.

ele deixa impressões por onde passa

No entanto, a cada passada para aprofundar as investigações aparecem as digitais do irmão do ex-governador aquele considerado o mais violento e perigoso, o temido Coriolano Coutinho, cuja ação de repressão e intimidação respaldava-se no apoio das famosas forças policiais, nunca jamais identificadas mesmo mais do que evidente os perfis e os endereços dos dirigentes maiores, alguns até citados nos depoimentos de delatores.

Esse silêncio sobre essas forças policiais tão fáceis de serem identificadas começa tomar ares de cumplicidade pela resistência em aprofundar as investigações que, inevitavelmente chegariam em alguns figurões da Segurança Pública, cujas relações com o esquema desbaratado são por demais conhecidas e proclamadas.

O desembargador relator da Operação Calvário, desembargador Ricardo Vital, por sua história como magistrado onde ocupou por quase 10 anos a Justiça Militar reuniria as melhores condições para identificar essas figuras que, obviamente não estão localizadas nos escalões inferiores dessas corporações policiais.

Trabalhador foi espancado por supostamente ter roubado vinho dessa adega

Nas muitas denúncias que envolvem essa intricada rede de ações criminosas, apontando para a aquisição de bens supostamente pertencentes ao ex-governador, gerenciados pelo irmão, confirmam a influência deste sobre essas forças policiais, que lhe emprestava poderes excepcionais, com os quais fazia reinar o terror sobre todos.

Essa propriedade de Bananeiras, Fazenda Angicos, foi palco de uma das manifestações de violência atribuídas a Coriolano e que desabou sobre um trabalhador rural acusado de roubar garrafas de vinho da adega do ex-governador, o que lhe custou uma sessão de torturas, comandada por Coriolano com a ajuda dessas forças policiais, vinculadas ao Estado e usadas como milícia.

Há depoimentos nos relatórios encaminhados a Justiça onde aparece, trechos de conversas entre Coriolano e Daniel Gomes tratando de estabelecer projetos de expansão de bingos e outras modalidades de jogos, por onde o dinheiro, surrupiado aos cofres públicos, poderia sofrer lavagem e ganhar legalidade, o que não se concretizou porque a casa caiu antes e porque não havia confiança entre as partes, uma mal conseguindo esconder o desejo de engolir a outra.

Essa área sombria e nebulosa das atividades da Orcrim não foi iluminada com as luzes da verdade e da transparência, e continua escondendo vultos tenebrosos do esquema criminoso, em plena atividade, exercendo seu poder de intimidação e chantagem, abertamente, entrincheirados em lugares estratégicos que assombram os Poderes constitucionais.

Desde que delatores apontaram a presença de autoridades dessas áreas vinculadas a Segurança Pública no esquema de desvio de dinheiro nada mais foi apurado.

Um silêncio constrangedor e comprometedor abateu-se sobre o tema ficando as forças policiais, que davam apoio e cobertura a Coriolano, acobertadas e protegidas mesmo sendo destaque dentro do processo que revelou as atividades criminosas do ex-governador Ricardo Coutinho.

Porém, por mais que as autoridades silenciem e por mais que elas façam vista grossa aos envolvimentos escandalosos de figuras de destaque do aparelho policial com as atividades sinistras do Governo passado ainda presentes na gestão atual, a cada passo que se dá em direção a verdade aparece o perfil dos que dirigem essas forças tão escancaradamente ligadas ao crime organizado.

Para se chegar a essas figuras bastaria seguir os rastros de Coriolano e as ditas forças policiais ganhariam nome e perfil.

A matéria que transcrevemos abaixo do Blog do Helder Moura referindo-se a uma estranha e misteriosa propriedade localizada nas Serras de Bananeira supostamente pertencente a Coriolano Coutinho seria uma das trilhas para se saber como, quando e onde o mais perigoso de todos adquiriu tanto poder:

MISTÉRIO EM BANANEIRAS: Quem será, afinal, o figurão dono da propriedade citada na Calvário?

O Blog recebeu, nos últimos dias, um vídeo e várias fotografias de uma misteriosa propriedade localizada no sítio Angicos, em Bananeiras. Segundo os moradores a fazenda, de mais de 70 hectares, é cercada de “câmaras de vigilância por todos os lados, o que sugere a possibilidade de acomodar bens valiosos” e há muitas dúvidas sobre quem, de fato, seria seu dono. A suspeita envolve figurões do Estado envolvidos na Operação Calvário.

Para o ex-secretário Francisco Barreto, “Coriolano Coutinho é supostamente dono da equipada propriedade… É voz corrente na região que a propriedade seria sua apenas de fachada… Os moradores da região embora, reservadamente, e com medo, digam que o verdadeiro dono é o governador irmão, apresentam enormes receios em falar, pois, os métodos Coriolano em impor autoridade através da violência física, como já o fez acompanhado de capangas surrando violentamente um deficiente acusado de subtrair uma garrafa de vinho de Ricardo Coutinho”. (trecho de uma carta de Barreto, de outubro de 2014)

As investigações do Gaeco apontam que, apesar do sítio Angicos não constar na relação dos bens do ex-governador, na verdade, seria ele o dono propriedade. Conforme dados levantados pela força-tarefa, além da conta de energia da fazenda estar em seu nome, foi possível encontrar documentos, indicando a entrega de mercadorias em seu nome, no mesmo sítio, o que comprovaria a propriedade no imóvel. Em Bananeiras, o comentário é que o sítio teria sido adquirido por Coriolano “ao senhor Valdomiro Rocha”, conforme Barreto.

Ainda segundo Barreto, “em Bananeiras, onde adquiriu recentemente uma propriedade denominada Angicos, 70 hectares, e que pelo que se comenta valor pago de 700.000 reais… Este valor, é completamente fora de mercado, pois trata-se de uma área situada no perímetro dos Condomínios chiques de Bananeiras, onde o valor da terra bruta se situa em torno de 50.000 reais o hectare, o que, daria mais de 3,5 milhões de reais.” (Mais em https://bit.ly/31iIVHd)