Ninguém aguenta mais; renovar a PM é preciso

A intervenção de um ouvinte em um programa de rádio – por isso uma manifestação autentica – expôs uma chaga que se arrasta por mais de uma década no serviço público da Paraíba e que se torna única e inusitada no país: a longevidade de um comandante geral, algo que não se justifica nem se explica principalmente pelo caos que tem sido sua gestão, onde os números, estarrecedores, da violência seriam o principal fator para justificar a exoneração imediata.

Sem nada que justifique uma permanência tão longa principalmente por ser oriundo de um esquema apontado como criminoso e que se sustentava à base da confecção de dossiês, para chantagear os poderes, com flagrantes obtidos dentro da própria máquina estatal, onde forças policiais agiriam sem controle ou sob o controle de pessoas até hoje nunca identificadas.

Todo esse mundo de suspeitas – e indagações sem respostas – seria suficiente para afastar qualquer comandante com vínculos tão fortes com um passado tão tenebroso.

Esse pandemônio, que a insegurança produz, com violência incomum, consequência da falência do policiamento ostensivo e preventivo da total responsabilidade desse comandante tão contestado, cuja insistência em permanecer no cargo criaria constrangimentos ao ponto de auxiliares próximos ao governador, já não mais atender seus telefonemas, preferindo tratar direto com o Secretário de Segurança.

Ninguém sabe a qual sociedade esse comandante se refere quando diz que seu trabalho seria aplaudido provavelmente aquela que acalanta usando a bandinha da PM para fazer serenata porque a sociedade de fato, essa está indo aos meios de comunicação criticar sua exposição aos efeitos da criminalidade.

Na verdade, o que se escuta são os desabafos de ouvintes intrigados com essa longevidade suspeitíssima, que seria respaldada por dossiês criminosos que estarreceram investigadores do Gaeco ao constatarem que nem o Ministério Público escapou desse mundo de espionagem velada.

Essa longevidade – entre outros males – atrofiou a corporação impedida de se renovar pela apropriação escandalosa de uma instituição pública transformada em privada e adequada a interesses nada republicanos como sinalizam as muitas denúncias, nunca apuradas de enriquecimento ilícito.

Essa longevidade seria uma interrogação no serviço público nacional pelos desdobramentos que levaram esse Matusalém fardado para a presidência de uma entidade honorífica, mas que serve de plataforma para expor opiniões para lá de contraditórias, como de resto é contraditório esse militar que serve um governo de viés socialista, mas não se acanha de presidir um órgão com profundas divergências ideológicas com seu comandante maior (o governador do estado) sendo esse um dos muitos malabarismos em que se tornou mestre, o polêmico oficial.

Golpe de mestre

Nessa condição de presidente do Conselho de Comandantes Gerais vociferou contra qualquer tipo de golpe alertando para suas consequências.

Ninguém, na verdade, entende mais de golpe do que o digno comandante paraibano: foi aplicando um que chegou a patente de tenente-coronel para logo em seguida ser alçado a de coronel com a qual chegou a comandante geral e no qual pretende permanecer eternamente.

O golpe de mestre foi saudado nas redes sociais, já que acreditando ter sido beneficiado pela prescrição qüinqüenal, o que não foi do entendimento de um cabo e essa questão aguarda, conclusa para julgamento sobre a mesa do Ministro Og Fernandes do STJ.

Do ouvinte, passando pelos radialistas e pela tropa na voz do também coronel Jarlon, ninguém, mais ninguém mesmo, aguenta mais esse cidadão no Comando da PM.

O governador precisa ouvir a voz sensata das ruas.