Mar de lama encosta nos contrafortes da Borborema e pode afogar Romero

A Operação Calvário arrastou nesta quarta-feira para os contrafortes da Borborema o mar de lama que inundou o Estado e um dos baluartes da politica campinense, Romeo Rodrigues, afogado nele em seletas companhias.

Romero entoa o cântico de menosprezo aos delatores num ato de defesa que se tornou comum aos envolvidos nas peripécias do empresário Daniel Gomes, uma espécie de anjo mau que os pampas do sul nos enviou e que aqui chegou trazido pelas mãos suspeitíssimas de Ney Suassuna.

Romero já não cheira a alfazema

Até então sozinho na liça e cheirando a alfazema, Romero terá que se explicar de forma convincente sem recorrer a estratégia de menosprezar a delação, porque esse tem sido o argumento das estrelas atingidas pela Operação.

O que fica patente na denúncia promovida nesta quarta-feira pelo Ministério Público é que quase ninguém escapou ao fascínio do gaúcho, importado por Suassuna; e a cruz que ele trouxe, agora, se mostra pesada.

Romero Rodrigues é investigado na Operação Calvário suspeito de receber R$ 150 mil

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) protocolou nesta quarta-feira (24) uma denúncia contra o ex-prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSD), no âmbito da Operação Calvário.

Romero teria recebido R$ 150 mil para a campanha de reeleição para a prefeitura em um acordo com o empresário da Cruz Vermelha, Daniel Gomes da Silva. Daniel é delator na operação e por essa contribuição, responde em liberdade.

Segundo apuração do Correio Debate, da Rede Correio Sat, os R$ 150 mil teriam sido pagos a Romero em 2012 e se ele fosse reeleito, a organização social Cruz Vermelha assumiria o Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (Isea) e o Hospital Municipal Pedro I. Conforme a denúncia, o contrato não chegou a ser validado, mas a propina teria sido repassada ao então candidato Romero Rodrigues, presidente estadual do PSD.

Outras duas pessoas são citadas na denúncia que envolve Romero Rodrigues e uma delas já aparece em outras fases da Operação Calvário.

Os promotores que assinam a denúncia pedem que seja aplicada a perda de cargo, emprego, função pública ou mandato eletivo dos envolvidos como efeito da condenação

A Calvário começou em 2018 e investiga desvios de R$ 1,1 bilhão da Saúde do Estado, durante a gestão do ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB). Pela primeira vez alcança a gestão de Campina Grande, o que pode atrapalhar os planos de Romero, que pretende concorrer ao governo estadual em 2022.

Romero disse ao Correio Debate que vai esclarecer a situação na Justiça e provar que é inocente. Ele negou que tenha solicitado os recursos e falou ainda que a Prefeitura de Campina Grande, sob a gestão dele, nunca teve contratos com organizações sociais investigadas na Operação Calvário.

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