Lito Sousa, influenciador de aviação, morre aos 59 anos
Lito Sousa, influenciador de aviação e ex-mecânico de aeronaves, morreu nesta quinta-feira (1º), aos 59 anos, em São Paulo, após diagnóstico de câncer de próstata e de DCJ (doença de Creutzfeldt-Jakob). A notícia foi divulgada por sua esposa, Mila Seidl, por meio de um vídeo de despedida no Instagram, e confirmada a Splash pela assessoria.
Mila comunicou a morte em um post conjunto com o influenciador, na noite de hoje, no Instagram. “Um grande abraço e até o próximo voo. Foi uma honra ter viajado com você. Te amo. Sempre”, escreveu ela na legenda. No vídeo, também declara: “O grande comandante decidiu levá-lo para perto dele, para perto dos seus pais e do seu irmão Geraldo”.
Quem foi Lito Sousa
O ex-mecânico de aeronaves ficou conhecido por explicar aviação para leigos e por ajudar pessoas com aerofobia, o medo de voar. No YouTube, ele analisava acidentes e repetia frases como “turbulência não derruba avião”, que virou um de seus bordões.
O influenciador acumulava mais de 6 milhões de seguidores nas redes sociais. Ao falar publicamente sobre problemas de saúde, ele recebeu mensagens de apoio de fãs e de famosos que o acompanhavam.
Em julho, Lito revelou que tinha sido diagnosticado com câncer de próstata e que passaria por cirurgia. Ele contou que descobriu a doença cerca de três meses antes, após exames de rotina, e disse que o tipo identificado tinha agressividade considerada intermediária.
Em agosto, Mila Seidl contou que ele foi diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob. Mila disse que a família ficou em silêncio por semanas antes de contar sobre o diagnóstico ao público porque “as coisas não estão boas”. Ela contou que o casal vivia “a turbulência mais severa” que já enfrentou.
Creutzfeldt-Jakob é uma doença priônica que afeta o cérebro e costuma evoluir rapidamente depois do diagnóstico. O agente dessas doenças não é vírus nem bactéria, mas uma proteína que muda de forma e induz outras a fazerem o mesmo. Na DCJ, a progressão pode envolver perda de memória, mudanças de comportamento e alterações de movimento. A doença é neurodegenerativa e tende a levar à morte.
Mila afirmou que o quadro do marido não seguiu a apresentação típica da doença, que costuma começar com demência e evoluir para perdas motoras. Ela disse que Lito passou por tratamentos agressivos, como plasmaférese e pulsoterapia, enquanto a equipe aguardava o resultado do exame.
Lito conversou com o filho do casal, de 7 anos, sobre “o ciclo da vida”. Segundo a esposa, o influenciador já tinha perdido movimentos, mas mantinha a lucidez, e seu médico orientou que ele aproveitasse uma “janela” para falar, planejar e estar com a família.
Após tornar público o diagnóstico, a família pediu que os seguidores os ajudassem a tentar fazer com que Lito entrasse em estudos sobre a doença, já que ainda não existe tratamento. Famosos e anônimos se mobilizaram e entraram em contato com farmacêuticas e institutos internacionais. O Itamaraty e o Ministério da Saúde pediram a inclusão do influenciador em estudos experimentais.
Os testes, porém, seguem várias etapas de triagem até a admissão do paciente ao programa. A Ionis Pharmaceuticals explicou por que não incluiu Lito no estudo mesmo após a mobilização das redes sociais. O Broad Institute, por sua vez, afirmou que tentaria ajudar o influenciador.
Ele também testou o remédio experimental ALN-6457. O medicamento veio de avião de Nova York, nos EUA. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) antecipou os procedimentos necessários, e o Hospital Israelita Albert Einstein fez o pedido após Lito ser aceito em um programa de uso compassivo.
Trajetória na aviação e na internet
Lito nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, em 1967, e contou que, na infância, o sustento da casa vinha da caça de pássaros feita pelo pai e pelo irmão. Ele dizia que, antes de se interessar por aviões, queria trabalhar com navios, mas não tinha dinheiro para estudar na Escola Naval do Rio.
Ele escolheu a manutenção de aviões ainda no colegial e disse que se apaixonou pela aviação no primeiro dia do curso técnico. Ao longo da carreira, trabalhou em locais como a Base Aérea de Santos, na Varig e na United Airlines.
- UOL
- Foto: Reprodução

