segunda-feira, março 23, 2026
Cultural

Jornalista Petrônio Souto lança primeiro livro na Fundação Casa de José Américo

Um dos principais nomes da imprensa paraibana e prestes a completar 77 anos, o jornalista Petrônio Souto está lançando o seu primeiro livro: “PS Em Poucas Letras”. O evento de lançamento acontece nesta quinta-feira (26), às 19h, no hall do Anexo I da Fundação Casa de José Américo (FCJA), à Avenida Cabo Branco, 3336, na orla da capital paraibana.

Em formato de livro de bolso, a publicação reúne mais de duzentas quadrinhas dispostas em 138 páginas. Inicialmente, está sendo lançado o livro físico, mas que poderá vir a ser disponibilizado também no Kindle (aplicativo de acesso para livros virtuais).

Não há nada de especial no livro. Na verdade, são quadrinhas de ocasião, em sua quase totalidade feitas como exercícios de memória e raciocínio, recomendados pelo médico, depois que sobrevivi à covid-19 e a um AVC”, avisa Petrônio, complementando: “Quem pode dizer que uma obra presta é o leitor, não o autor. Mas espero que alguém possa enxergar algum valor literário ou filosófico nas minhas quadrinhas. Senão em todas, mas em algumas delas”. petronio-souto-200x300 Jornalista Petrônio Souto lança primeiro livro na Fundação Casa de José Américo

A apresentação é de Chico Viana, o prefácio assinado por Neide Medeiros e a orelha da publicação está a cargo de Hélder Pinheiro.

Professora aposentada da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e colunista do jornal A União, Neide Medeiros Santos assina o prefácio da obra sob o título “Quadrinhas no compasso da vida”, destacando “A Trova”, de Mário Quintana: “Trova, soneto do povo,/ Flor de nostálgico encanto…/ Todo o infinito amor/ Numa só gota de pranto”.

livro-de-petronio-souto-255x300 Jornalista Petrônio Souto lança primeiro livro na Fundação Casa de José AméricoNeide escreve: “Trova ou quadra? É uma pergunta que se faz quando se está diante de um pequeno poema composto por uma única estrofe e quatro versos. Massaud Moisés, no Dicionário de Termos Literários, considera que, por sua brevidade e singeleza, a quadra lembra o ‘haicai’ japonês. Os cantadores medievais davam-lhe o nome de pés. Muitos poetas eruditos publicaram livros com quadras, entre eles Fernando Pessoa”.

Para Neide Medeiros, Petrônio Souto fez a opção pelas quadrinhas e escolheu um título instigante para seu livro: ‘PS em Poucas Letras’. “O leitor curioso quer logo saber o que significam essas duas letrinhas. Não precisa pressa. Em nota introdutória ao livro, o autor explica que PS são as iniciais de seu nome – Petrônio Souto. Desvendado o segredo, é partir para a leitura dos textos e descobrir o ‘itinerário lírico’ do poeta caminhando pelas ruas e bairros de João Pessoa”, registra a professora.

Já Helder Pinheiro, na orelha do livro, enfatiza: “Fiquei aqui lendo as quadras de Petrônio Souto. Volto várias vezes a algumas delas para imaginar a João Pessoa de seus encantos – bairros, praças, ruas, espaços menores etc. –, mas também o mar, a morte, a amizade, o natal e tantos temas que emergem aqui e ali. E me lembrei de que foi nas quadras que se deu minha iniciação literária (não escritas, ouvidas da boca de pessoas simples)”.

Ele ainda completa: “Nossa tradição literária está regada pelas quadrinhas. O grandes poetas e poetisas foram a elas com frequência. E não é fácil trazer para o curto espaço de quatro versos sensações, sentimentos, dores, desencantos, irritação, percepções diversas. E isso Petrônio soube fazer”.

Com o título ‘Um homem e seus espaços’, o professor de Português e Redação Chico Viana, doutor em Teoria Literária pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), assina a apresentação do primeiro livro de Petrônio Souto. Ele lembra que Fernando Pessoa definiu a quadra como “um vaso de flores que o povo põe à janela da sua alma”.

Chico Viana decreta: “Pode-se então dizer que Petrônio Souto está em excelente companhia. E bem que ele faz jus a isso. Suas quadras não são exercícios gratuitos, feitos para a diversão de amigos e parentes. Há nelas uma recorrência temática que aponta para um projeto – o de traduzir sua visão de mundo e fazer uma espécie de ajuste de contas com a vida. Ele julga a cidade onde nasceu, diz o que pensa sobre a política, revela com tocante sinceridade como enfrenta a passagem do tempo – entre outras referências das quais emerge o rigoroso perfil do homem. O que ele poderia escrever numa autobiografia está condensado nesses pequenos recortes produzidos com rigor métrico e rítmico”.

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