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Nova inundação recorde, frio e ventos no Rio Grande do Sul; alertas de agravamento

situação do Rio Grande do Sul deve se agravar nestas segunda e terça-feira (13 e 14/5) — segundo as mais recentes previsões divulgadas por institutos meteorológicos — superando os níveis de inundação recordes já atingidos neste mês. Um boletim do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul alerta que o Guaíba pode atingir 5,5 metros — um novo recorde de inundações, superando os 5,33 metros da semana passada.

Nova inundação recorde, frio e ventos devem atingir Rio Grande do Sul – Sebastião Moreira/EPA-EFE/REX/Shutterstock via BBC

Além das chuvas recordes, desta vez o Estado deve sofrer com ventos fortes de até 50 km/h. E depois que as chuvas diminuírem, na quarta-feira, o Estado deve sofrer com o frio.

A situação deve piorar em quase todas as regiões já afetadas, segundo a MetSul Meteorologia. A entidade emitiu um alerta detalhado sobre quais locais devem sofrer mais nesta semana:

  • Nas bacias dos rios Taquari e Caí, “o pior ocorre agora na primeira metade da semana”, segundo a MetSul.
  • Na bacia do Paranhana, “o pior ocorre agora no começo da semana. No decorrer da semana, o nível deve baixar.”
  • O rio dos Sinos, que recebe as águas do Paranhana, deve se elevar de Campo Bom até Canoas, na Grande Porto Alegre, ao longo da semana. A cheia será de “grandes proporções”.
  • No Jacuí, o vento “deve agravar a situação na primeira metade da semana na área de Eldorado do Sul e partes de Guaíba”.
  • O rio Gravataí vai receber grandes volumes de água que estão caindo no Litoral Norte, na região de Santo Antônio da Patrulha, e que ruma para a Grande Porto Alegre. Os níveis do Gravataí “tendem a se elevar gradualmente no decorrer da semana, com uma cheia de grande porte”.
  • O Guaíba, em Porto Alegre, recebe a água de todos estes rios. “Logo, como todo estão com cheias e com tendência de agravamento, a situação vai se agravar na capital durante a semana com a chegada da segunda grande onda de vazão vinda dos rios contribuintes.”
  • No Sul do Estado, a enchente prossegue nesta semana nas cidades junto à Lagoa dos Patos. “Como tem muita água descendo ainda do Guaíba, a enchente no Sul será de muito longa duração.”

O governo do Estado está atualizando alertas de emergência e fornecendo informações gerais sobre a calamidade no Rio Grande do Sul no site SOS Rio Grande do Sul.

“ACREDITEM NOS ALERTAS”

A nova frente de chuvas reverte o quadro que estava em vigor nos últimos dias. Desde quarta-feira (8/5), o nível das águas vinha caindo e atingiu 4,56 metros no sábado.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, fez um alerta à população em vídeo divulgado no domingo (12/5).

Segundo ele, as áreas que correm mais risco são as mesmas que já foram atingidas nas últimas semanas. Ele fez um pedido para que moradores não tentem voltar para suas casas neste momento.

“Eu insisto, não é hora de voltar para casa. Não é hora de estar em áreas de risco. Nós precisamos proteger as pessoas. Aquelas áreas de encosta de morros precisam também ser evitadas neste momento, porque o solo está encharcado e os riscos de deslizamento são reais, principalmente na Serra Gaúcha e na região dos Vales”, disse Leite.

O governo do Rio Grande do Sul afirmou que também está monitorando a situação de municípios da metade Sul do Estado — como São Lourenço do Sul, Pelotas, São José do Norte e Rio Grande — que estão sendo afetados pela enchente da Lagoa dos Patos.

“Pedimos a todos que acreditem nos alertas, evitem o risco. Depois nós vamos estar juntos para reconstruir, restabelecer. Mas neste momento [é preciso] salvar vidas, se proteger e ficar em segurança. Por favor.”

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres (Cemaden) emitiu alerta “muito alto” de riscos hidrológicos e geológicos altos no Estado. Segundo o centro, o Guaíba receberá toda água que se desloca pelas Bacias dos Rios Jacuí, Taquari-Antas, Caí, Sinos e Gravataí — todos transbordados.

Para a Serra Gaúcha, a entidade está alertado para alta “possibilidade de deslizamentos de terra esparsos, especialmente ‘quedas de barreira’ à margem de estradas e rodovias e reativação dos deslizamentos já registrados”.

Até domingo, as inundações já tinham deixado 145 mortos, 132 desaparecidos e 806 feridos, segundo a Defesa Civil gaúcha. Mais de 2 milhões de pessoas foram afetadas em 447 municípios, com 538 mil tendo que deixar suas casas e 81 mil pessoas alojadas em abrigos.

Segundo a companhia de água Corsan, 191 mil clientes estão sem abastecimento de água em 18 cidades. As companhias de eletrecidade CEEE Equatorial e RGE 281 mil pessoas estão sem luz. Em alguns casos a eletrecidade foi desligada por questões de segurança.

Folha/UOL

Foto Michel Corvello/Fotos Públicas

 

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