Equipe da UEPB descobre oito novos sítios arqueológicos e 30 espeleológicos

Pesquisas científicas realizadas em São João do Tigre começam a desvendar o potencial arqueológico e espeleológico da Área de Proteção Ambiental (APA) das Onças, extremo Sul da Paraíba. Oito novos sítios arqueológicos e 30 espeleológicos foram descobertos esta semana, durante uma expedição à APA. O trabalho é uma parceria do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia (Labap), da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e Grupo Paraíba de Espeleologia (GPE), da UEPB, em parceria com técnicos do Centro Nacional de Pesquisas e Conservação de Cavernas (Cecav), do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio). Entre as descobertas estão os sítios arqueológicos Manga Velha I, II, III e IV, além do Jucurutu VIII. (via A União*)

A expedição tem como principal objetivo prospectar esses sítios na região. Os espeleológicos incluem cavernas, duas delas com a presença de colônias de morcegos, além de muitos abrigos sob rochas e grutas. Todas serão cadastradas junto aos órgãos competentes, especialmente o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan).

“Os sítios arqueológicos, em sua maioria, são de artes rupestres, mas dois deles são cemitérios indígenas. Os espeleológicos são cavernas grandes, duas delas, e os demais são locas e abrigos rochosos pequenos”, relatou o arqueólogo e paleontólogo Juvandi de Souza, coordenador do Labap/UEPB.

Em relação às diferenças entre sítios arqueológicos e espeleológicos, ele explicou que os espeleológicos são cavidades naturais, como cavernas. Já os arqueológicos têm registros da passagem do homem pré-histórico na região. Pode ocorrer de, num sítio espeleológico serem encontrados registros arqueológicos, o que demanda dupla importância e estudos mais detalhados.

As atividades de pesquisa na APA das Onças começaram em 2004 e não tem data para terminar porque a área é gigantesca, com aproximadamente 36 mil hectares. O local também possui centenas de sítios arqueológicos e espeleológicos. Inclusive, Juvandi ressalta que há diversos artigos científicos publicados e um livro.

Povos que viviam na APA das Onças

 Os povos que viveram na área que hoje é a APA das Onças foram grupos humanos constituídos por caçadores, coletores e pescadores. Eles habitaram aquela área em período remoto. Já o povo Cariri ocupou o local em uma época mais recente. Esses povos utilizavam os sítios arqueológicos e espeleológicos para atividades como sepultamentos e também para realização de rituais.

Isso ocorria, conforme o coordenador do Labap/UEPB, Juvandi de Souza, porque as cavernas são consideradas ambientes perigosos para se viver. Os povos preferiam as planícies com rios próximos.

            O pesquisador ressaltou que, para possibilitar o trabalho, as equipes do Labap/UEPB e do ICMBio contaram com um importante convênio firmado com a Prefeitura de São João do Tigre. “A Prefeitura nos ajuda fornecendo apoio logístico durante os seis dias de expedição”, ressaltou.

            Em janeiro de 2023, pesquisadores de outras universidades, a exemplo da Universidade Federal de São Carlos, em São Paulo, estarão na Paraíba. Eles virão participar de pesquisas das espécies de animais que vivem em cavernas. Já em maio, está previsto o primeiro grande evento sobre espeleologia na Paraíba que deve ser realizado no município de Pedra Lavrada. “Muita gente boa estará por aqui para falar sobre as cavidades naturais que temos na Paraíba”, completou.

*Matéria republicada do jornal A União e assinada por Lucilene Meireles