Em entrevista a rádio da capital, Ricardo prova o quanto é ousado e perigoso enquanto o DO confirma as relações íntimas de João com o PSB

A Paraíba vive um momento de perplexidade e estarrecimento diante das atrocidades promovidas pelo ex-governador Ricardo Coutinho e que insultam os conceitos de moralidade da sociedade como também das evidências de que ainda perduram as afinidades entre João e Ricardo mesmo um ano depois da mudança de Governo.

O mundo sombrio de Ricardo permanece atuante na gestão de João

Apesar desse período, suficiente para o governador João Azevedo mostrar para que veio, as forças comandadas pelo antecessor – circulando pelas ruas de tornozeleira, a detratar a Justiça com declarações debochadas sobre uma insustentável presunção de inocência – ainda estão vivas e afrontando a moralidade pública com a permanência inexplicável de figuras nefastas, em cargos de confiança da administração estadual, sugerindo que todo rompimento tem cheiro de farsa.

A entrevista concedida pelo ”delinquente” Ricardo Coutinho, assim definido pela Procuradoria Geral de Justiça, a uma rádio da capital, revela e confirma o caráter audacioso do indivíduo apontado pelas investigações como chefe de uma organização criminosa que capturou o estado, o que significa dizer que seus tentáculos estão por toda parte aparentemente constatado pela entourage que invadiu com ele, os estúdios da rádio, onde figuras de proa da sua gestão, esquecendo o decoro público foram emprestar solidariedade e apoio a quem saqueou de forma inquestionável o erário.

João não consegue escapar ao cerco socialista

O próprio diário oficial do estado pode servir de aval as relações de intimidade ainda mantidas entre o Governo que findou nas grades e o que hasteia a bandeira da continuidade alegando um projeto que afundou na lama do descrédito ao se calcular o estrago imensurável provocado nos recursos públicos.

São sucessivas nomeações de pessoas visceralmente ligadas ao esquema criminoso por afinidades políticas e que continuam desfrutando de prestígio na atual gestão, substituindo aqueles que foram alcançados pela Lei, mas que continuarão agindo por prepostos, mandando por tabela nos cargos que desfrutavam numa dança de cadeiras, indecorosa, por não alterar absolutamente nada.

Apadrinhado de Cida é resgatado da reserva para a Fundac

Um exemplo emblemático dessas relações incestuosas com membros envolvidos no escândalo da Operação Calvário seria a nomeação do Tenente-coronel Roberto Costa Rodrigues, já na reserva, mas que volta as atividades em cargo especial na Fundac como demonstração de prestígio e influência da deputada Cida Ramos.

Cida Ramos é um dos tentáculos mais poderosos do esquema desbaratado de Ricardo Coutinho e tem seu papal de destaque na organização enfatizado pelo Gaeco e pela Polícia Federal, mas nada disso seria impedimento ou constrangimento para o Govenador João Azevedo que, na prática vem governando com toda estrutura da organização criminosa limitando-se trocar seis por meia dúzia, o que não deixa de ser um acinte para quem professa os valores morais, que sempre nortearam esse estado.

Ricardo na polêmica entrevista na Rádio Sanhauá

O tenente-coronel não seria uma exceção – João continua abrigando figuras tenebrosas do governo passado denunciadas por ironia pelo próprio governo socialista em dossiês, devastadores, que dormitavam por muito tempo nas gavetas e só a insistência republicana de certos personagens não deixou que caísse no esquecimento.

Uma carga pesada de denúncias contra o comandante geral da PM, Euller Chaves, foi armazenada pela Ouvidoria da Secretaria de Segurança Pública no longínquo ano de 2013, e que só foi acatada depois que a ouvidora Valdênia Lanfranchini protocolou a denúncia no gabinete do então governador Ricardo Coutinho.

PGE INST. SIND COMANDO GERAL PMPB 2013 (1)

Foram muitos os protocolos, todos apontando para enriquecimento ilícito e torturas (010.2012.000.49.01, 010.2012.000.48.69; 010.2012.000.4780 e 010.2012.000.45.84), onde apartamentos em condomínios de luxo foram adquiridos e viagens a paraísos do turismo internacional realizadas, fugindo às condições financeiras dos acusados.

Para não fugir à regra que predominava no Governo enlameado de Ricardo, o procurador geral do estado, o hoje réu da Operação Calvário, Gilberto Carneiro, mandou arquivar as denúncias, e o coronel continua palitando os dentes, comprando boinas e coturnos com a mesma desfaçatez que o caracteriza, permanecendo na linha de frente do Governo de João dando as cartas no terreiro como se nada tivesse sido alterado pelas urnas e pelas investigações.

Inabalável, o coronel, cuja patente vem sendo discutida nos tribunais, continua inatingível a tudo o que é denúncia, provando o quanto ainda é forte e influente o esquema que assaltou os cofre públicos e do qual foi fiel e dedicado auxiliar.

Ouvidora fez sérias e graves denúncias contra o militar nunca apuradas

Depois de muito se cobrar o paradeiro desse dossiê devastador eis que aparecem os documentos protocolados pela ouvidora Valdênia Lanfranchini em diversos gabinetes do Governo entre eles, o do próprio governador como também o da Secretaria de Segurança, o que sugere que o paradeiro do dossiê deve ser do conhecimento do Secretário Jean Nunes como também do corregedor João Alves e ainda do ouvidor que substituiu Valdênia, Mário Gomes, omisso sobre o caso desde que assumiu.

Essas relações para lá de pecaminosas entre o Governo atual e a organização criminosa que se constituiu a gestão de Ricardo são realçadas por essas permanências e retornos, mostrando que os canais da boa convivência permanecem desobstruídos, e com trânsito fluindo ao sabor das conveniências, confirmando o quanto foi temerário o STJ ao soltar os cabeças da organização e o quanto ainda permanece poluído o Governo de João.

Homem de reconhecida probidade, João começa desgastar sua imagem ao permanecer na companhia de tão nefastas criaturas umbilicalmente ligadas ao crime organizado por situações demostradas nessa matéria.