Bolsonaro perde apoio na PB e vereador de Belém diz que ele é mentiroso; sargento afirma que seguidores do capitão são cegos

Dizem os antigos que a vida é a melhor professora, mas cobra um preço alto, para quem quer aprender com ela. E não podia ter lição melhor e mais dolorosa a que recebeu o Sargento Silvano, vereador em Belém, que perdeu o pai acometido do coronavírus e viu quase a totalidade de sua família infectada inclusive ele que escapou por pouco da doença.

Uma doença que o filho subestimou e até desprezou, atacando as medidas que foram tomadas para contê-la no Estado, instigado pelas declarações do presidente Jair Bolsonaro a quem manifestava quase idolatria e de quem herdou a disposição para combater o isolamento social que implicava no fechamento de atividades da economia.

 

De incentivador ao repúdio às medidas de governadores e prefeitos, que achava como todo Bolsonarista, que teriam o propósito de desestabilizar o Governo do capitão, o sargento partiu para o ataque as declarações do seu ex-mito agora transformado em mentiroso, cujo respeito pela vida é nenhum, como ressalta.

Silvano adverte que os seguidores de Bolsonaro estão cegos e pregam e defendem mentiras com o ardor dos acólitos. Depois de ver quase toda sua família acometida da doença e perder o pai, o sargento entregou-se a cruzada de combate a pandemia ressaltando que os bens materiais não devolvem a vida.

Sargento Silvano depois de convertido na luta contra a doença

A convenção do militar desmoraliza o discurso de deputados que defendem Bolsonaro como o cabo Gilberto e o delegado Virgulino notórios defensores da obtusidade do capitão e reincidentes na propagação de fakes News contra as medidas sanitárias do estado.

Gilberto e Virgulino estariam desidratando o mandato à medida que espalham mentiras pelas redes sociais e recebem como resposta posicionamentos fortes como o do vereador de Belém que sentiu na própria pele os efeitos devastadores da doença.

Mais um ataque a verdade promovido pelo deputado Virgulino

Mais destrambelhado, Virgulino partiu para o ataque à Imprensa que denuncia suas manobras terroristas contra as medidas do Governo e recebeu como resposta nota de repúdio de entidades de classe como o Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Paraíba e a Federação Nacional dos Jornalistas rebatendo o que foi considerado infâmia e calúnia, caso o deputado não apresente provas das acusações assacadas contra membros da Imprensa paraibana.

A produção e mentiras não cessa e segue no ritmo imposto pelo capitão durante a campanha: uma depois da outra

Se já não apresentam uma produção parlamentar que justifique os votos recebidos agora os parlamentares, na ânsia louca de defender o indefensável, afundam no descrédito de forma vertiginosa e provavelmente sem volta.

Vereador de Belém contrário ao isolamento social passa a defender medida após perder o pai

Sargento Silvano chegou a defender nas redes sociais a abertura do comércio e das igrejas.

O vereador de Belém Sargento Silvano (PSD) está surpreendendo seus seguidores nas redes sociais. O político, que sempre apoiou Jair Bolsonaro e no final de março chegou a defender o discurso do presidente para abertura imediata do comércio e abertura de igrejas, mudou de opinião, agora prega o isolamento social e ataca o presidente: “Bolsonaro mente”.

No mês de abril, o vereador e cerca de dez pessoas da família dele foram infectadas pelo novo coronavírus. O pai do Sargento, de 65 anos, não resistiu e morreu depois de mais de 30 dias internado no hospital. Até segunda-feira (18), o Pará registrava 15.467 casos e 1.392 mortes por Covid-19.

“Eu e minha esposa pegamos logo de primeira. Depois adoeceu minha mãe, meu pai, cunhada, meus filhos, minha nora e meu irmão. Moramos em casas próximas e mesmo usando máscaras e álcool gel, fomos todos adoecendo”, contou o vereador ao G1.

O vereador explica que a mudança de postura se deu antes da família adoecer e do pai morrer. “Um mês antes eu queria abrir a igreja, conversei com o Ministério Público e eles informaram seguir linha não política, mas científica, descobriram que o Pará seria muito atingido. Diante da explicação do MP, decidi retroceder e informar que deveríamos manter isolamento, usar máscaras e que as igrejas deveriam ficar online, parei de defender a abertura”, explica Silvano.

A experiência negativa da Covid-19 fez o vereador refletir sobre a importância de preservar vidas. “Passei 11 dias trancado em casa, na beira da morte. Comecei a definhar como ser humano. Quando Deus me levantou, eu fui cuidar das pessoas, da minha família. Comecei a ficar muito revoltado com o Bolsorano, porque o que ele tá pregando é mentira”, afirmou.

“O que a adianta a gente brigar pra ter comércio, bens, se a gente não leva nada? O que vale é a prevenção. Meu pai morreu, ele construiu um patrimônio e nem com a roupa que ele tinha, ele foi pro túmulo. Ele foi enrolado num lençol hospital e ficou dentro de um saco no caixão”, relata o vereador.

Antes apoiador, o vereador agora ataca Bolsonaro: “Não é gripezinha como Bolsonaro falou, ele é mentiroso. Os seguidores do Bolsonaro estão cegos. Eles não conseguem ver além do que acreditam, como se tivessem na frente deles uma parede, eles não conseguem pensar na dimensão. Hoje são 16 mil pessoas que morreram, é uma cidade inteirinha. São muitas pessoas que estão sofrendo, será que estamos idolatrando um homem e esquecendo amor pelo próximo?”, disse ao G1.

Recuperado da Covid-19, o vereador Sargento Silvano está com várias ações para ajudar moradores de bairros mais populosos de Belém. “Comprei máquinas de dedetização e estou fazendo nas casas, feiras. Doei cestas básicas e remédios com recursos próprios. Dei café da manhã para quem estava na fila da Caixa. Estou saindo de casa e fazendo pelo próximo. Se todos vereadores se unissem e comprassem máquinas, com certeza nossa cidade não estaria com tantos casos de doença como temos”, afirmou ainda.

Abaixo Nota de Repúdio das entidades de classe da Imprensa:

SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS DO ESTADO DA PARAÍBA

FEDERACÃO NACIONAL DOS JORNALISTAS

NOTA

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Paraíba e a Federação Nacional dos Jornalistas repudiam a forma caluniosa e agressiva que o deputado estadual Wallber Virgolino vem dispensando à imprensa da Paraíba, particularmente, aos jornalistas, inclusive em tom de ameaça àqueles que façam críticas ao seu mandato, o que já caracteriza censura e afronta à liberdade de expressão.

Na última declaração que fez, na segunda-feira última (19), o parlamentar acusa que existem na imprensa paraibana profissionais que desrespeitam a classe por práticas abomináveis, denominando-os, pejorativamente, de ‘banda podre’. Em abril de 2019, o parlamentar ameaçou instalar uma CPI contra jornalistas.

Sobre essas graves acusações, as entidades representativas dos jornalistas reiteram a importante função social do jornalismo e a integridade da categoria para desempenhar as suas atividades e colocam à disposição do deputado as Comissões Estadual e Nacional de Ética das duas entidades, a fim de acolher as denúncias, acompanhadas pelos nomes desses jornalistas para as apurações devidas. Caso comprovadas as irregularidades, os responsáveis receberão as penalidades previstas no Código de Ética da nossa profissão.

Porém, enquanto não forem comprovadas as denúncias contra esses profissionais, o Sindicato dos Jornalistas e a Fenaj não poderão aceitar que a categoria seja aviltada e humilhada por quem quer que seja.

O Jornalismo da Paraíba é composto por dignos e valorosos profissionais, seja nas redações dos órgãos de Comunicação privada, seja nas Assessorias de Imprensa dos órgãos públicos, que orgulham nossa categoria, que não merece se ver constantemente maculada.

Portanto, caso V.Ex.ª permaneça só com as acusações vagas e genéricas, sem comprovações, o Sindicato dos Jornalistas poderá entrar com uma representação junto ao Ministério Público.

A DIREÇÃO