Coisa de cinema: Arma de guerra desaparece de viatura estacionada no pátio do I Batalhão de Polícia da capital junto com 60 munições de 556 e ninguém viu

Aviso aos navegantes e a praça em geral: quem souber do paradeiro de um fuzil IA2, calibre 556, surrupiado do interior de uma viatura estacionada no pátio do I Batalhão de Polícia Militar localizado à Praça Pedro Américo, centro, favor avisar ao Comando Geral da corporação e ao Tenente-coronel Lucas, comandante do Batalhão, há quase uma semana sem entender como um objeto do tamanho de uma arma de guerra pode sair de um estabelecimento de segurança – como se supõe ser um quartel – sem que nenhuma sentinela tenha percebido o furto de arma cuja potência se equipara aos famosos AR 15.

O fuzil saiu por uma dessas portas, mas ninguém viu

O tenente-coronel Lucas é um daqueles oficiais com vocação para integrar o elenco do seriado Loucademia de Polícia e pela sua incapacidade um dos mais prestigiados oficiais da corporação comandada pelo talentoso roteirista de filmes de ação, que tem brilhado nas telas do cinema amador paraibano com produções fantásticas sobre Segurança Pública.

Lucas leva a vida na valsa tocando bateria

Tão fantásticas e esfuziantes, que iludiram e encantaram muita gente poderosa entre elas, dois governadores de estado, diversos conselheiros, alguns juízes, outros tantos desembargadores, e demais autoridades dos Poderes, fascinados pelas produções feéricas do brilhante diretor de efeitos especiais, cuja atividade secundária é ser coronel e comandante geral, o que não obscurece nem atrapalha sua vocação para a Sétima Arte.

Arma semelhante a essa saiu pelos portões do I Batalhão sem ninguém ver

O filme sobre o desparecimento de arma tão letal tem ingredientes picantes e reveladores de como uma instituição da grandeza e relevância da Polícia Militar, com quase 200 anos de existência, pode ser desmoralizada sequencialmente desde que a incompetência, a incapacidade e a vassalagem fizeram moradia no interior dos seus quartéis sem se falar em coisas mais graves, que o Gaeco vem apurando.

Os atores seriam: um preso de Justiça oriundo da Cracolândia que infesta o centro da capital pagando sua pena limpando o quartel e um sargento com um histórico complicado de dependência a drogas, ambos suspeitos de terem planejado o sumiço da arma letal para transforma-la em produto dos seus vícios.

Uma combinação de gostos e perfis que, juntos podem ter o efeito de um galão de gasolina ao lado de uma fogueira de São João, o que passou despercebido aos superiores até desaparecer o fuzil.

Alto Comando suspeita que arma tenha sido negociada com traficantes

O cenário, o pátio do quartel do maior batalhão da corporação no estado cujo efetivo se aproxima dos 800 homens, e cuja privacidade e segurança se supõe ter uma rígida fiscalização sobre quem entra e sai principalmente tratando-se de um preso de Justiça que, para sair com a arma teria que ter usado algo de aparência volumosa, o que deveria chamar a atenção de sentinelas treinadas para garantir o prédio.

Mas, nenhuma dessas medidas de segurança foram atentadas e o fuzil IA2, calibre 556, considerado uma arma de guerra, encontra-se desparecido em lugar incerto e não sabido provavelmente nas mãos de traficantes, devendo engrossar o tonitroar das armas que apavora os bairros da capital nas noites de exibição de poder do Crime Organizado.

Mistério: Deste pátio sumiu o fuzil da PM e 60 munições 556

As suposições que circulam dentro dos quarteis para explicar o caso abafado pelo Comando Geral para preservar seu desastrado pupilo agrava ainda mais a situação, porque a culpa jogada sobre o sargento recolhido à cela pelo seu histórico de dependente e o preso de justiça com total liberdade para circular nas dependências da caserna ao ponto de se transformar em suspeito de surrupiar a arma.

Então, cabe a pergunta: como uma corporação sabedora do histórico de dependência de um dos seus integrantes entrega a ele uma viatura e armas de potencial letal para oferecer segurança à população?

Como até agora ninguém respondeu, a situação termina por revelar um cenário preocupante mostrando o descaso com que essa instituição vem sedo comandada e com quê despreparo e irresponsabilidade vem sendo conduzida enfatizando o grau de achincalhamento que a Polícia Militar atingiu, onde a disciplina e a hierarquia fugiram para recintos mais respeitáveis.

O episódio não apenas desmoraliza o Comando como também o Governo empregando nas ruas, homens destituídos do necessário equilíbrio para enfrentar situações de crise como também destituídos de qualquer senso de moral e de respeito aos bons costumes, capazes de abastecer o crime organizado com armas pagas pelo contribuinte, caso a versão construída pelos superiores se sustente.

Diante de tudo isso, o sargento não devia estar só na cela do I Batalhão. Cabe mais gente.

Atualização

Emenda pior que o soneto

Depois da divulgação da matéria alguns porta-vozes do Comando Geral informaram pelas redes sociais que providências estão sendo tomadas e que uma perícia foi realizada pela Polícia Civil, e câmeras do interior do quartel requisitadas, mas nada de concreto foi revelado até o momento desta atualização.

Como novidade, o Jampanews ficou sabendo que, além da arma de guerra, 60 munições, calibre 556, também acompanharam o arrastão promovido no pátio do I Batalhão, o que demonstra a tranquilidade com que se delinque no interior da corporação.

Pela naturalidade com que a transação entre supostos militares e comprovados delinquentes ocorreu a coisa seria muito mais grave do que imagina a nossa vã filosofia.

Ignorando câmeras, sentinelas, testemunhas, superiores – se é que ainda existem superiores numa corporação cujo comandante proclama lealdade e fidelidade ao poderoso chefão do crime organizado como foi definido o ex-governador Ricardo Coutinho pela PGR -, a operação capa-fuzil transcorreu naturalmente na última quarta-feira sem que seus autores fossem molestados provavelmente confiantes no clima de cumplicidade estabelecido nesses longos oito anos de atividade criminosa no estado.

Este rapaz que está por detrás do Jailton famoso gosta de circundar a foto dos filhos dos outros exatamente com a do filho dele nesta

Chama atenção também que a famigerada P2, cuja atribuição seria exatamente investigar desvio de condutas de integrantes da instituição permaneça passiva e recolhida quando devia estar em atividade e não omissa ao contrário do que costuma fazer quando se trata de adversários e inimigos do esquema chefiado pelo ex-governador.

No caso da arma subtraída a P2 se esconde reservando seus cães de caça para intimidar e ameaçar cidadãos e jornalistas, seguindo exemplo das policiais de exceção típicas dos regimes anti-democráticos.

A permanência desse pessoal é a prova que o STJ exigia para reconhecer a continuidade de uma gestão na outra.

Por onde anda a P2, alguém sabe dizer? Cadê o oficialzinho que responde por ela, e onde andam seus sabujos?

Governador João Azevedo, cadê o senhor?