ColunasGisa Veiga

Adeus, meu mestre

Um grande professor de jornalismo prático – fora do ambiente acadêmico. Um grande incentivador daqueles que queriam, de fato, abraçar a carreira de jornalista. Grande mestre e referência no jornalismo paraibano.

Estou falando de Agnaldo Almeida, meu primeiro editor quando ingressei no jornalismo, no Jornal A União. Contei, como “foca”, com sua paciência na direção dos textos. “Você poderia começar a matéria assim e assim”, e eu refazia o texto com o maior prazer. Com ele e com seu irmão, Arlindo Almeida, aprendi as primeiras e importantíssimas lições. E com os dois aprendi a também ser paciente com quem está dando os primeiros passos na profissão.

Apesar de já ser profissional reconhecido, Agnaldo ainda frequentou os bancos do curso de Comunicação Social, na UFPB, sendo meu colega de classe. Sílvio Osias, também colega e que já escrevia para o jornal, me incentivou a pedir um estágio. E lá fui eu, sem saber nem o que era um lead, dar os primeiros passos cambaleantes. Passei uns três meses estagiando. Outro talvez tivesse desistido de mim. Ele, não. Por ele, fui chamada de volta à redação de A União meses depois, agora mais entusiasmada do que nunca.

Para além do profissional de excelência e do colega que se transformava em amigo, Agnaldo era um homem sensível. Gostava de boa música. Lembro que era tão fã de Gilberto Gil que colocou o nome de uma das filhas inspirado em uma música do baiano.

Apesar de seu enorme talento, nunca foi “afetado”. Era simples, não precisava de marketing pessoal, muito usual hoje em dia, para que seu nome se sobressaísse. Agnaldo se garantia pelo que era, pelo que escrevia, pelo seu trabalho como jornalista ou como gestor. Não precisava de holofotes, tinha brilho próprio.

As novas gerações talvez nem saibam de quem estou falando. Nem sei suas referências. As minhas eram ousadas, e ele estava incluído como um dos principais.

Sou uma privilegiada por ter tido Agnaldo como professor, colega e amigo. O jornalismo paraibano está de luto.

Adeus, meu mestre!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *