Ricardo destrói amizades e alianças para ficar com uma legenda e sair candidato sem depender de ninguém

O presidente da Assembleia, deputado Adriano Galdino, declarou que o
racha no PSB é irremediável enfatizando que se houvesse base legal
sairia “ontem” do partido. Com essa declaração, Galdino mostra o caminho
que deve ser seguido pelo governador João Azevedo ainda relutando na
decisão a ser tomada para retomar sua caminhada política atropelada pela
truculência da dissolução do diretório da sigla na Paraíba.
Sem tergiversar, Galdino deixou claro que não há mais clima para
conviver com o ex-governador Ricardo Coutinho depois que ele humilhou e
atropelou amigos e aliados, ao convencer a direção nacional decretar
intervenção no partido.

A posição de Adriano Galdino mostra um norte para os demais envolvidos
na confusão do PSB e revela também a desesperada manobra do governador
Ricardo para não se tornar refém do grupo que liderou por oito anos, a
ferro e fogo, e que agora reage ao seu estilo truculento com escaramuças
que poderiam aparar suas asas, num futuro próximo, quando precisasse de
legenda para se lançar candidato.

Ricardo farejou o laço e antes que ele lhe apertasse o pescoço pulou
fora. Na sua ótica, deixar o partido nas mãos de um “magoado” como
Edivaldo Rosas, devidamente afagado pelo governador João Azevedo e
estimulado pelo prestígio do cargo e ao alcance de certas influências,
seria um risco muito grande e um tolhimento ao seu estilo imperial de
conviver com as divergências, elas que brotam aos borbotões, no dia a
dia, da conturbada arena política.

Há uma lógica na reação fulminante de Ricardo, que explicaria a
violência da dissolução. Ela pode ser entendida como uma ação de
legítima defesa, como uma medida de preservação, que seu faro apurado
detectou, e que o fez reagir por instinto de sobrevivência política,
quase um reflexo pela rapidez com que interferiu no diretório.
Pelo andar da carruagem e pelo seu estilo beligerante, Ricardo antecipou
que sua lua de mel com João Azevedo já havia acabado e que era preciso
dar entrada na separação antes que perdesse o patrimônio conjugal que
construiu junto com o ex-auxiliar nessa longa convivência de doces e
agradáveis lembranças.

Olhando por esse ângulo a violência empreendida tem sentido e faz jus à
sua decantada sagacidade, que o consagrou e o levou a jornadas
memoráveis da política paraibana, quando destruiu e encerrou a carreira
de adversários do porte de um Cássio Cunha Lima e José Maranhão.
Nessa luta interna, Ricardo pode sair apenas com os dedos, mas serão
suficientes para enfrentar os adversários de agora, gerados dentro do
seu próprio organismo, e cuja imunidade, ao seu veneno, torna-os muito
mais perigosos.

 

Ricardo deve ficar com muito pouco do que restar do PSB, mas garante a
legenda e o direito de se lançar candidato mesmo que contra tudo e
contra todos, como é do seu feitio.

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