Sistema Arapuã inaugura novo modelo comercial e transforma debates políticos em receita

Podia ser mais um debate entre os muitos que acontecem nesse período eleitoral, onde os candidatos se defrontam e se confrontam à procura da aceitação de suas propostas junto ao eleitor. O debate é um instrumento democrático que ganhou projeção na democracia americana e foi copiado por muitas democracias pelo mundo e pelo Brasil a partir de 82, mas nunca tão insólito e antiético como o promovido pelo Sistema Arapuã.

Um dos requisitos básicos dos debates é a neutralidade do apresentador e do veiculo que promove o ringue eleitoral. Neutralidade essa jogada no cestinho de lixo depois que um dos entrevistadores resolveu dar sua opinião sobre quem havia vencido o debate com os candidatos a prefeito de Bayeux.

A resposta não podia ser mais óbvia do que a que foi dada com tanta “espontaneidade” e que deve ter contentado em demasia o setor comercial do sistema de comunicação, já que ninguém, em sã consciência e que assistiu o combate eleitoral, podia prever outra coisa a não ser apontar o dedo ambicioso e oportunista, favorecendo a quem tem o controle do caixa da prefeitura.

Mesmo que Luciene – cambaleante para responder as suas suspeitissimas relações com o ex-prefeito preso com dinheiro na cueca – tivesse tido um desempenho razoável escolhê-la como a vencedora seria algo constrangedor até pela fama que o juiz carrega e que o entrevistador conhece de voracidade publicitária, e mesmo assim escolhido a dar tão estranho voto numa demonstração de falta de respeito para com os demais candidatos, sem acesso ao dinheiro público e sem poder garantir receita, porque essa foi a impressão que o voto desastrado deixou: de um contrato comercial ao vivo.

Por mais que não se queira pensar a provocação ao voraz apresentador tem cheiro de armação e de propósitos comerciais pelo inconveniente da pergunta e a quem foi dirigida e a quem foi dado o direito de interferir na avaliação do eleitor menos esclarecido. Caberia inclusive uma contestação ao juiz da propaganda eleitoral pelo acinte do voto.

Ninguém foi mais bombardeada e escapou pela tangente do que a prefeita candidata Luciene de Fofinho e só a parcialidade e a desfaçatez interesseira podia dar tal veredito destinado aos ouvintes e aos eleitores, nunca ao Sistema Arapuã, que feriu a ética, e deixou a impressão de que o debate foi um negócio rentável e antecipadamente combinado.

O sistema Arapuã inaugura assim um novo modelo comercial de tornar rentáveis os debates políticos sem nenhum constrangimento.

Ganhou Fofinha, ganhou o sistema e perdeu a democracia, a ética e os bons costumes.

Pior mesmo é se as urnas desmentirem o juiz de fancaria.