Profissionais de enfermagem preparam protesto em JP

Ontem, na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o ministro Luiz Roberto Barroso se reuniram para discutir a questão do piso nacional de enfermagem, suspenso pelo referido ministro no último domingo, dia 4, em decisão provisória. Na próxima sexta-feira, dia 9, o STF julgará a decisão em plenário virtual. No mesmo dia, em João Pessoa, profissionais da enfermagem estarão juntos em protesto na Lagoa, à partir das 8h, em prol de um piso salarial justo para os trabalhadores da área.

O Piso Nacional de Enfermagem, em vigor desde o dia 5 de agosto, foi aprovado pela Câmara e pelo Senado, e sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro. O Piso, que seria pago pela primeira vez nesta segunda-feira, dia 5, estabelecia o valor de R$4.750 para os profissionais da área, e serviria como referência para o cálculo mínimo salarial de técnicos de enfermagem — 70% — auxiliares de enfermagem e parteiras — 50%.

Para a vice-presidente do Conselho Regional de Enfermagem da Paraíba (Coren-PB), Kátia Jussara de Oliveira, a suspensão do Piso “para os profissionais de saúde da Enfermagem, significa falta de respeito, sentimento de tristeza, pois é frustrante ver o direto de quem trabalha e se doa diuturnamente ser suspenso assim.”

A suspensão atende ao pedido da Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos de Serviços (CNSaúde), segundo a qual a lei do Piso seria insustentável. De acordo com material divulgado pela Corte após a reunião entre Pacheco e Barroso, “ambos defenderam a importância do piso, mas concordaram com a necessidade de uma fonte de recursos perene para viabilizar os salários num patamar mínimo”.

Kátia conta que, “quando o Piso da Enfermagem foi sancionado pelo presidente, com garantia de constitucionalidade, teve hospitais que já começaram com as demissões. O problema é que não querem respeitar a profissão, que precisou passar por uma pandemia para ganhar visibilidade na sociedade”. Ela continua: “agradecemos os aplausos e sermos chamados de anjos, mas precisamos do nosso reconhecimento, que é nosso salário digno para sustentar nossas famílias e poder nos permitir uma melhor qualidade de vida, não tendo que nos submeter a ter três empregos para garantir o pagamento das contas no final do mês”

Nas redes sociais, além do presidente do Senado, o presidente da Câmara, Arthur Lira, também defendeu a lei que estabelece o Piso Nacional de Enfermagem.

Transcrito do jornal A União

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