Presidente do Conselho de Comandantes Gerais do Brasil, Euller não se manifesta sobre exoneração de colega pernambucano

A queda do comandante geral da Polícia Militar de Pernambuco, Vanildo Maranhão, aparentemente por omissão no caso de violência contra manifestantes no centro da capital pernambucana, enseja algumas considerações que terminam por transpor a fronteira e cair no colo do colega paraibano, presidente do Conselho Nacional de Comandantes Gerais, entidade ideologicamente ligada ao presidente Bolsonaro por quem as corporações militares do país dedicam extremada simpatia e lealdade.

Vanildo não teve a solidariedade do presidente do CNCG

A motivação para as agressões – que resultaram na perda da visão de dois transeuntes que passavam no local, além de um jato de spray de pimenta no rosto de uma vereadora do PT –  seria essa ardente simpatia pelo presidente, alvo dos protestos dos manifestantes.

A ligação ideológica das instituições policiais militares do país  com o presidente da República coloca em xeque o comandante paraibano que preferiu a omissão e o silêncio no caso da exoneração do colega pernambucano haja vista ser o chefe maior da corporação, o governador João Azevedo, um notório adversário político do presidente.

Conflitos como esse podem acontecer quando da visita de Lula ao Estado

Nesta situação, tecnicamente imprensado entre o dever de lealdade ao chefe imediato, o governador João Azevedo, e a solidariedade ao colega exonerado já que membro do colegiado de comandantes, o coronel Euler optou pelo silêncio e indiferença a sorte do companheiro de farda e não emitiu nenhuma nota sobre os incidentes em Recife que exoneraram o coronel Maranhão.

Como um equilibrista de grande talento e ousadia, Euler vem se mantendo nesta corda bamba com maestria incomparável e até contrariando a frase bíblica de que, não se serve bem a dois senhores.

Articulador politico de reconhecida habilidade e competência sempre aproveitado nas campanhas eleitorais como cabo eleitoral de múltiplas utilidades, Euler não tem se mostrado tão eficiente diante da resistência da tropa em abraçar candidaturas que não sejam referendadas pelo presidente Jair Bolsonaro.

Mudo e indiferente aos dissabores que derrubaram o colega pernambucano, o coronel, que enfrenta dificuldades no STJ, reza para que episódio semelhante não aconteça por aqui, já que a extremada simpatia da corporação pelo presidente pode se manifestar em eventos como a visita de Lula e se veja obrigado tomar medidas punitivas contra subordinados exaltados, ou então não tomar e sofrer as consequências que resultaram na exoneração do colega pernambucano.