Polícia investiga furto de 13 aves da Bica

A Delegacia da Polícia Civil da Paraíba irá analisar hoje as imagens das câmeras de segurança e amanhã (9) funcionários e direção administrativa do Parque Zoobotânico Arruda Câmara( Bica) serão convidados a depor sobre o furto de 13 aves silvestres, ocorrido na madrugada do dia 1º de setembro, no bairro do Róger em João Pessoa.

Segundo a Certidão do Registro de Ocorrência do dia 2 de setembro, meliantes cortaram a tela do recinto das aves e furtaram as seguintes aves: um papagaio moleiro, um papagaio verdadeiro, dois papagaios de mangue, dois maracanãs verdadeiros, um maitaca de cabeça azul, dois sabiás cinzentos, um sabiá laranja, dois sanhaço e um periquito maracanã.

O delegado Nélio Carneiro, da segunda Delegacia Distrital de João Pessoa, informou que após apurar as informações vai traçar um caminho para investigação. “A princípio não posso afirmar que algum funcionário da Bica esteja envolvido ou que foi uma pessoa de fora. Vamos ouvir as pessoas para aprofundar todas as possibilidades. Assim, os indicativos mostrarão o caminho da investigação”, declarou.

Seman

A Secretaria de Meio Ambiente (Semam) informa que lamenta profundamente a ocorrência de um crime ambiental federal na área do Parque e está tomando todas as providências para que os responsáveis sejam identificados e punidos. As autoridades policiais foram informadas, a direção do Parque registrou boletim de ocorrência e os técnicos da Semam estão trabalhando para que as aves sejam localizadas e devolvidas.

É importante destacar que matar, perseguir, caçar, apanhar, vender ou expor à venda, adquirir ou simplesmente guardar ou ter em cativeiro espécimes da fauna silvestre sem autorização é crime tipificado no art. 29 da Lei de Crimes Ambientais. A pena pode variar de seis meses a um ano de detenção, além de multa. A reportagem de A União entrou em contato com o diretor da Bica Rodrigo Fagundes por whatsapp e telefone, várias vezes, mas até o final do fechamento desta edição não obteve resposta.

Segundo a bióloga Andreza Amaral, especialista em aves, a maioria das aves furtadas são de interesse do tráfico ilegal de animais silvestres. “Quando analisamos as espécies roubadas que sumiram do viveiro de aves, papagaios e outros psittacídeos em sua maioria, conhecidos no tráfico como ‘bico torto’, interessam o tráfico ilegal, assim como os sabiás”, lamentou.

O Tucano-de-papo-branco encontrado morto no recinto invadido é uma espécie amazônica, considerada vulnerável, ou seja, uma espécie ameaçada conforme a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN). “ Logo, o viveiro deveria ter um sistema de segurança da  Bica mais monitorado. Se as aves tiverem anilhas ou chip talvez seja mais fácil de encontrá-las numa busca pelas autoridades competentes”, disse.

Os papagaios, de um modo geral, apesar de nem todas as espécies estarem listadas como ameaçadas, qdo pegos em cativeiro ilegal os infratores podem ser multados no valor de R$ 5 mil por cabeça apreendida.

Transcrito do jornal A União