Operação Arrebate podia ser extensiva a outras unidades da PM para saber se tem conexão

O Ministério Público através de seus núcleos competentes e qualificados desferiu um golpe fulminante nas camadas mais nebulosas de instituições policiais, onde a farda eventualmente serve de disfarce e escudo aos mais perigosos bandidos.

A prisão de quatro militares – três soldados e um sargento que praticavam crimes os mais terríveis, típicos das organizações criminosas, revela que os subterrâneos das forças policiais podem estar altamente contaminados pelo efeito da corrupção alastrada nas esferas superiores do poder, onde quem devia dar o bom exemplo, acabou protagonizando escândalos que apontam para a infecção generalizada do sistema em vigor.

O que seria uma exceção à regra, um desvio de conduta de um bando de mentalidade criminosa, pode ser a ponta do iceberg de um sistema criminoso de onde as ações partiriam de cima como evidenciam fortemente as investigações que resultaram numa operação devastadora denominada Calvário onde a submissão do Estado ao crime organizado deve ter gerado esse tipo de conduta inspirada e estimulada por escalões superiores.

Esse grupo, pelo praticado, há muito que vinha agindo escudado pela farda a mesma farda que ainda abriga aqueles componentes de uma força policial submetida aos interesses de uma organização criminosa e que jamais foi identificada na sua necessária plenitude sendo revelada homeopaticamente à medida que as delações foram dando nome aos bois como foi o caso dos dois coronéis da Casa Militar, Fernando Chaves e Anderson Pessoa.

Existem situações realmente nebulosas dentro da corporação onde fica evidente que há uma relação de intimidade e promiscuidade entre superiores e subalternos envolvidos em situações semelhantes à dos militares presos, onde a prática de extorsão e improbidade comprovadas pelas investigações foram confirmadas, e uns foram punidos, e até excluídos, enquanto outros prestigiados e designados para cargos de confiança.

Situações altamente preocupantes aconteceram e nenhuma providência tomada a não ser uma gigantesca operação de maquiagem para inocentar envolvidos e de intimidação a setores da imprensa, entre eles esse portal, que foi o primeiro a denunciar o caso suspeitíssimo de um fuzil subtraído do interior de uma viatura estacionada no pátio de um quartel.

 

Depois que o Jampa News denunciou o fato aconteceram as primeiras movimentações para localizar a arma de grosso calibre posteriormente resgatada de traficantes que dominam a favela Saturnino de Brito.

A arma foi surrupiada de dentro da viatura estacionada no pátio do quartel por um apenado que pagava serviços à coletividade na caserna e que saiu da unidade militar, pasmem, sem ser incomodado e não fosse a denúncia desse portal provavelmente o fuzil não seria resgatada já que sendo utilizada para decidir divergências internas da favela, onde facções se estraçalham pelo controle do tráfico.

Como providências, o sargento, comandante da viatura de onde despareceu a arma de grosso calibre – com um histórico de suposto envolvimento e dependência com drogas, de acordo com informações de fontes da polícia militar – estimulado a processar o portal, confiado no esquema que seguia a orientação do advogado de Ricardo Coutinho e que tinha por objetivo intimidar e calar a imprensa.

São ramificações que, descontextualizadas pareceriam isolados sem conexão, mas que diante de fatos recentes podem ser a ponta do novelo que, se desenrolado a partir do 5º Batalhão chegar a outras unidades militares como a que serviu de palco para o sumiço da arma letal encontrada nas mãos de traficantes e só devolvida depois de um acordo constrangedor na opinião de oficiais que não compartilham de ações que envolvam o crime organizado e cuja presença nefasta na corporação fica agora determinada pela operação Arrebate.

Essa possível extensão, não tão fora de cogitação, tem que ser avaliada e investigada com critério e rigor para separar o joio do trigo na Polícia Militar há muito tempo marchando ao som do Bolero de Ravel.