Morte do sargento Durval repercute com intensidade dentro da caserna; superior diz que houve descaso no atendimento

Tem ressoado com intensidade no seio da caserna a morte do sargento Durval lotado no Batalhão de Trânsito da capital vitima do coronavírus. Pela intensidade da indignação, não seria a morte em si, mas suas circunstâncias apontadas pelo comandante do Batalhão, seu superior imediato, denunciando ter havido descaso no atendimento ao militar falecido.

Um áudio circulando em grupos de militares expõe a situação dramática do sargento à espera do socorro que, pelo visto e denunciado não chegou em tempo de salvá-lo. O sargento foi internado no dia 9 deste mês e veio falecer no dia 14, sem que as providências cabíveis tivessem sido tomadas, segundo o que se divulga nos áudios.

O drama da família do sargento circula nas redes sociais, onde o desespero e o choro da esposa e filhos constrange companheiros de farda revoltados com a suposta negligência do comando da corporação acusado de sempre atento para arrancar aplausos, recorrendo a truques e a tudo o que é pirotecnia, mas relapso na solidariedade aos subordinados.

Esse tipo de promoção já não impressiona a tropa indignada com a falta de assistência ao companheiro

Durval agonizou até a morte sem a necessária e indispensável assistência médica mesmo a corporação dispondo de uma unidade hospitalar que, em tese existe para atender seus integrantes, como fica evidente no áudio onde o desalentado comandante indaga de quem será a responsabilidade pela perda do militar.

Ele acabou morrendo à míngua como relata texto encharcado de revolta e que circula nas redes sociais, apontando o dedo acusador para os altos escalões da corporação aparentemente entretidos em divulgar ações que promovam a gestão aos olhos do governador e daquela parcela da sociedade que dorme embalada ao som das retretas.

A família enlutada terá de conviver com a perda e com a redução de 40% na pensão

A solidariedade que parece ter faltado ao sargento Durval – segundo os protestos indignados de praças e oficiais, repercutindo nas rede sociais e no interior da caserna -, enfeita e motiva campanhas de arrecadação de mantimentos, que podem ser entregues em qualquer quartel da PM, reproduzindo aquelas iniciativas piegas, inspiradas na caridosa hipocrisia cristã que tanto agrada e motiva os resquícios da Casa Grande hoje instalada em suntuosos condomínios de luxo a gozar a vida e a explorar o próximo.

Corre uma bolsa de aposta dentro da corporação para ver quem vai aderir a multicolorida campanha de arrecadação de mantimentos para as comunidades pobres, atingidas pela crise gerada pelo coronavírus.

Na interpretação de muitos, ela seria mais uma iniciativa de promoção pessoal de quem se serve da corporação para fins obscuros e teria por objetivo encobrir os ecos de indignação que a morte do sargento provocou dentro dos quarteis, onde esse tipo de manobra já não impressiona nem motiva muito pelo contrário revolta e enfurece quem embala e conhece mateus.